Wednesday, March 14, 2007

Não interessa se ele é coroa.

Nestes tempos modernos nos quais o que hoje é de "última geração" vira sucata amanhã existem aqueles que se recusam a cairem no esquecimento.Na Major League Baseball o chamado clube dos coroas inclui vários nomes de futuros integrantes do Hall da fama que, mesmo com alguns kilómetros rodados, ainda conseguem mostrar para a garotada como se joga um beisebol de primeira. Eles são os dinossauros, quarentões que não se deixam impressionar pela juventude no esporte. Não perdem tempo para lembrar o ditado do vinho, ou demonstrar uma sabedoria digna de Aristóteles.Segundo os especialistas a vida útil de um arremessador é mais curta do que a de um jogador de campo devido ao esforço dos músculos e juntas durante o transcorrer das careiras. Mas se olharmos o bloco dos quarentões da Major League encontraremos vários arremessadores de peso ainda em atividade.
Roger Clemens estreiou no Boston Red Sox em 1984 e rapidamente ganhou o apelido de homem foguete. Ele ajudou o Red Sox a chegar na World Series de 1986 porém a maldição do bambino seria mantida com nova derrota frente o New York Mets. Após 12 anos em Boston, o homem foguete
( Clemens conversa com treinador do Yankees Joe torre- Foto Robert Bukati/ AP)
decolou aterrisando no Toronto Blue Jays e mais tarde cometeu um pecado mort
al para os torcedores do Red Sox: Clermens se transformou em jogador do New York Yankees. Pois foi com os bombardeiros do Bronx que Clemens obteve os maiores triunfos conquistando os títulos de 1999 e 2000, mas também no Yankees sentiu o amargo sabor da derrota ao perder as World Series de 2001 contra o Arizona Diamondbacks e 2003 frente o Florida Marlins. Devido a um erro da direção do Yankees Roger Clemens partiu, junto com Andy Pettite, para o Houston Astros em 2004 e no ano seguinte já conseguia levar o time texano à World Series. Raçudo e agressivo Clemens ganhou o prêmio Cy Young (melhor arremessador da MLB) sete vezes e mesmo com cabelos grisalhos ainda desperta o interesse de vários clubes
(Clemens e filho Koby-Foto Robert Bukati/AP)
d
a Major League. Aos 45 anos ele havia prometido se aposentar ao final da temporada passada para ficar mais com a família. Mas Clemens sentia aquela coceira que não dava para coçar, um cisco no olho, uma cisma que ainda tinha braço para jogar mais um ano. O Astros largou na frente dizendo que ficaria feliz em tê-lo de volta mas logo chegaram mensagens de dois amores antigos: O Boston Red Sox e o New York Yankees. A decisão de Roger Clemens, caso resolva retornar, não se restringe apenas ao contrato de trabalho mas qual clube ele irá representar quando entrar para o Hall da fama. O Homem foguete irá colocar o boné do Red Sox que o revelou ou o boné do Yankees no qual conquistou os dois anéis de campeão?
Durante mais de uma década os torcedores do Atlanta Braves tiveram o privilégio de assistirem uma rotação espetácular de arremessadores que trazia Greg Maddux,Tom Glavine e John Smotz.Graças a esse trio parada-dura, que hoje tem mais de quarenta velinhas no bolo de aniversário, o Braves chegou nas World Series de 1995, 1996 e 1999.
O texano Greg Maddux extreiou bem no Chicago Cubs em 1986 depertando o interesse do Atlanta Braves que o contrataou em 1993. Durante uma década ele se consagrou na escola de arremessadores do Braves mas ao final de 2003 resolveu voltar ao clube que o revelou. Após três anos de altos e baixos no Cubs, Maddux partiu rumo ao oeste aterrisando no Los Angeles Dodgers. Aos 41 anos Greg Maddux carrega grandes momentos na carreira, como o de ser um dos nove arremessadores na história da MLB a conseguir 300 vitórias e 3.000 strikeouts. E se é panela velha que faz comida boa, Maddux segue em atividade defendendo o San Diego Padres.
Todo o coroa sabe que as vezes o jeitinho vale mais que a força (anotem ai garotada). Pois esta tem sido a fórmula de sucesso na carreira de Tom Glavine. Sem a mesma potência
(Foto Jim Mclsaac)
nos arremesos de Maddux e Smoltz, Tom
Glavine se especializou em eliminar os rebatedores usando uma variedade de arremessos. Conhecido por colocar a bola aonde quer, Glavine sabe como poucos explorar as fraquezas dos adversários. Quantas vezes os melhores rebatedores congelaram esperando um arremesso de bola somente para ouvirem o juiz gritar: Strike!!! Este canhoto de 41 anos começou a carreira no Atlanta Braves em 1987 e se transferiu para o rival New York Mets em 2003. Peça chave na rotação dos Metropolitanos, Galvine vale o peso em ouro pelos ensinamentos que vem passando aos jovems arremessadores do Mets.
John Smoltz sempre foi sinónimo de nitro-glicerina. Explosivo, guerreiro e dono de um dos fast ball mais velozes não foram poucas as vezes que o radar registrou os arremessos de Smoltz chegarem a marca dos 157 kilometros por hora. Mas como todo trabalhador que perdeu um emprego de longa data, Smolts precisou se reinventar em uma outra função. A grande arma que era a força dos arremessos acabou causando uma grave lesão nos ligamentos e a cirurgia que o afastou da temporada de 2000. A solução foi jogar não como arremessador principal mas como closer. O que parecia ser uma experiência se transformou em consagração no campeonato de 2002. Smoltz retornou em excelente forma fechando 55 jogos para o Braves e quebrando o récorde de partidas "salvas' em um campeonato. E quem diz que o coroa ficou satisfeito. Ele exigiu voltar a rotação principal em 2005 e recompensou o voto de confiança do técnico Bobby Cox vencendo 14 partidas e perdendo apenas sete. A barbinha pode estar grisalha mas a vida está apenas começando para este arremessador de 40 anos.
Ele tem o mesmo nome do cantor mas em 1980 não embalava os casais romanticos ao som de "Lady". Naquela época o nosso Kenny Rogers colhia morangos na fazenda da família em Dover, na Florida. Desde cedo este senhor de 41 anos aprendeu a virtude da perceverança. Recrutado pelo Texas Rangers em 1982, Kenny Rogers passou sete anos nas divisões de base antes de ter uma chance no time principal. Feito caixeiro viajante, este arremessador canhoto acabou arranjando trabalho nos quatro cantos da Major League defendendo o Texas Rangers (em três oportunidades), New York Yankees, Oakland Athletics, New York Mets, Minnesota Twins e atualmente o vice-campeão Detroit Tigers. Os sucessos do cantor Kenny Rogers podem ter ficado no passado mas com a mão sujinha, ou não, o nosso bom e velho Kenny Rogers segue encantando multidões.
Mais parecido com o Garibaldo do que um arremessador da Major League, o grandalhão Randy Johnson nunca passou desapercebido. Sem dúvida um dos maiores jogadores de todos os tempos. Literalmente. Com 1 metro e 82 cm Randy Johnson por muito tempo foi o dono do título de jogador mais alto a ter atuado na MLB. Esta é a razão do apelido "Big Unity". A extréia no Montreal Expos em 1988 ficou marcada por um choque de Johnson com o companheiro Tim Raines que exclamou: Você é Big Unity (grandalhão). O exílio no Canadá durou apenas dois anos e logo Randy Johnson ingressou na boa rotação do Oakland A's. Entre 1989 e 1998 Johnson se estabeleceu como um arremessador explosivo e intimidador. Apelidado de caçador de cabeças pelos adversários, Johnson passou o pelo Houston Astros antes de ter o maior sucesso na carreira atuando pelo Arizona Diamondbacks. Ao lado de Curt Schilling formou o chamado one-two punch (soco um/dois) que levou o Arizona à conquistar a World Series em 2001 em cima do Yankees. O feito destes dois veteranos não passou desapercebido sendo que Randy Johnson acabou contratado pelo New York Yankees em 2005 e Curti Schilling pelo Red Sox em 2004. Apesar dos fracassos e problemas de adaptação na Big Apple, aos 43 anos de idade "Big Unity" segue com a bola cheia no Arizona e o Diamondbacks soltou foguetes ao recontratá-lo este ano.
Po
r falar em figurinhas da antiga outro coroa estará para sempre nos livros de história da Major League. Curt Schilling integrou o Arizona Diamondbacks em 2001, clube mais jovem a conqusitar o título da World series, e o Boston Red Sox de 2004 que quebrou os quase 100 anos da maldição do Bambino. A carreira deste quarentão começou no Baltimore Orioles em 1988, incluindo uma rapida passagem pelo Houston Astros, e deslanchou durante a década de 90 no Philadelphia Phillies. Descontente com a mediocridade do Phillies em 1999 Schilling reclamou abertamente da direção e deixou claro que desejava sair. O pedido se transformou na ida para o Arizona Diamondback coroado pelo título de campeão no ano seguinte. Conhecido como "o assassino do Yankees" na World Series, não demorou para receber um convite do eterno rival Boston Red Sox. Schilling se transformou em um dos líderes daquele time destinado a quebrar o tabú de 86 anos sem títulos para o Red Sox.
Os cabelos podem terem ficado grisalhos (para alguns nem ao menos ficaram), no rádio ao invés de Rock se ouve o Rap, os Lp's encolheram virando Cd's e até os velhos orelhões acabaram dando lugar aos celulares. Mas o nosso clube dos coroas mostra que a velha guarda ainda tem bala na agulha para montar
t
ime capaz de dar umas palmadas na turma das fraldas. Além dos super arremessadores acima ainda poderiamos contar no Bullpen com Jamie Moyer (44 anos), Mike Stanton (40), Rheal Cormier (40), Roberto Hernandez (42), Mike Timlin (41), Woody Williams (41), Tim Wakefield (41) e como closer o eterno José Mesa (41, no oficial). Em campo teriamos Barry Bonds (43 anos), Craig Biggio (41), Moises Alou (41), Jeff Conine (41), Kenny Lofton (40), Omar Vizquel (40) e só faltantando apagar mais uma velinha para entrar na turma dos quarentões Reggie Sanders, Jeff Kent e Frank Thomas.
Porém a mensão honrosa vai para o poderoso chefão dos coroas, o matuzalem das rebatidas, um homem que ajudou na construção das piramides e que segue com a mesma energia de menino. Parabéns à Julio Franco que está comemorando 49 anos (no oficial já que ele vem da Republica dominicana aonde costumam dar gato na certidão de nascimento) de muitas alegrias. A longa carreira iniciada em 1982 no Philadelphia Phillies levou este jovem a atuar no Japão pelo Chiba Mariners (1995 e 1998), Coréia do Sul pelo Sansung Lions (2000) além das passagens pelo Indians, Rangers, White Sox, Brewers, Devil Rays, Atlanta Braves e atualmente no New York Mets aonde tem a função de puxar as orelhas da garotada. Ou seja mexe com o velhinho cuchilando... mexe?

















4 Comments:

At Wednesday, March 14, 2007 5:18:00 PM, Anonymous Anonymous said...

É Marco, panela velha é que faz comida boa. O Julio Franco vai ser eterno na MLB, tá na casa dos 40 anos à pelo menos meio século.

 
At Wednesday, March 14, 2007 6:31:00 PM, Anonymous Anonymous said...

mais um belo texto, Marco
e desses aí, muitos ainda sao aces, como Schilling, Rogers, Glavine e Smoltz, e outros sao top hitters, como Bonds, Vizquel e o "Big Hurt" Frank Thomas.

esse time ganha de muitos por aí

 
At Friday, March 16, 2007 7:37:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Marco, só queria dar os parabéns por esse maravilhoso blog, pelo seu conteúdo e pelo humor que me faz rir sempre no serviço.Os meus colegas acham que estou louco ,pois dou muitas gargalhadas com as suas tiradas.Saudades das suas informações e das transmissões descontraídas que vc mos proporcionava.Um abraço.

 
At Friday, March 16, 2007 8:47:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Só agora fui ler o dos "bastidores"! Meu deus, muito bom! Merece bis hahaha

 

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