Tuesday, January 30, 2007

Pagando as dívidas parte 2

Estamos chegando ao final de outra temporada da National Football League e mal posso esperar pelo Super Bowl XLI que colocará frente-a-frente o Indianapolis Colts e Chicago Bears,dignos representantes das duas conferências. Feito pagamento de carnê das casas Bahia, hoje vou quitar a segunda prestação dos temas escolhidos pelos vencedores dos nossos bolões. "Sempre quis saber mais sobre os grandes nomes da história da NFL que infelizmente não conseguiram escrever seus nomes como vencedores do Super Bowl", declarou o amigo e vencedor do tira-teima Rafael Bahiense. Quero agradecer o apoio de todos neste primeiro ano do blog Iron Helmet.
Um grande abraço Rafael Bahiense, espero que meu texto lhe agrade.


Craques que nunca ganharam o Super Bowl.

Não existe momento mais doce na vida de um atleta do que erguer o troféu de campeão e compartilhar aquela alegria com a família, companheiros de time e leais torcedores. Qualquer que seja o esporte ou país vencer é o grande objetivo. Levar a taça para casa significa dar o maior presente possível à uma torcida. Mas seria injusto definir o valor de uma carre
ira, em especial de um craque, pelo fato de se ter ou não o anel de campeão.
Durante a l
onga história da National Footbal League tivemos atletas fenomenais que nunca saborearam a champanhe dos campeões enquanto a vitória pareceu favorecer a jogadores de menor talento.
Pode
riamos formar um time de primeira apenas com nomes de jogadores que nunca viveram o maior triunfo.Sem dúvida fazer uma lista com craques que não conquistaram o Super Bowl, como pediu o amigo Rafael, sempre depende do gosto pessoal. Caso o seu craque do passado não estiver incluido me perdoe, mas esta é a minha 'turma de ouro' entre aqueles que não conseguiram o diamante de campeão.
Mesmo antes da fusão da AFL/NFL em 1969 já existiram monstros sagrados do futebol Americano que mereceram te
r uma melhor sorte na busca do troféu e alguns nomes merecem serem lembrados.
George Blanda
mantem um recorde que dificilmente será quebrado. Ele teve a carreira mais longa na história da NFL. Durante 26 anos este QB e kicker comandou o Chicago Bears, Baltimore Colts, Houston Oilers e Oakland Raiders. Um verdadeiro homem de ferro, Blanda jogou 340 partidas sem passar pelo departamento médico. Escolhido melhor jogador da AFL em 1961, Blanda conseguiu
conectar sete passes de touchdown para o Houston Oilers
em uma partida naquele campeonato. Porém o maior feito na carreira deste pioneiro viria a acontecer no campeonato de 1970 a frente do Oakland Raiders. George Blanda conseguiu quatro vitória e um empate com passes de touchdown e um filed goal, todos no último segundo do jogo.Nervos de aço nunca faltaram para ele.
Jim Brown permanece até hoje como um dos melhores Rb de todos os tempos e uma inspiração para quem quiser ter sucesso na posição. O coração indomável do Cleveland Browns, Jim Brown desenvolveu a técnica do chamado "stiff arm" na qual o corredor carrega a bola com um ante-braço e a protege esticando o outro braço. Oito vezes campeão de jardas corridas da NFL entre 1957 e 1965, Jim Brown encerrou a carreira com um total de 12.312 jardas corridas tendo sido convocado nove vezes consecutivas ao Pro-Bowl. Paralela a carreira de jogador da NFL Jim Brown também atuou em filmes de sucesso como o " Os doze condenados", " O sobrevivente" e "Um domingo qualquer".
Fran Ta
rkenton foi o primeiro QB a dominar os recordes da NFL, e poderia ter o apelido de bumerangue por ter começado a carreira no Minnesota Vikings, jogar no New York Giants e ir pedurar as chuteiras no Vikings. Francis Asbury Tarkenton entrou na NFL em 1961 fazendo barulho e logo na extréia completou quatro passes de touchdown para o Vikings. Selecionado nove vezes para o Pro-Bowl, Tarkenton levou o Minessota Vikings três vezes ao Super Bowl mas jamais conseguir aquela última vitória que tanto faltava. Ao se aposentar em 1978 Fran Tarkenton possuia os recordes de passes completados (3.686), Total de jardas na carreira (47.003) e touchdowns (342). A carreira como jogador foi seguida por sucessos na area da computação e participações em programas de televisão.
Dick Butkus poderia receber o título de 'Padrinho' das grandes defesas do Chicago Bears.Este feroz LB era um pesadelo para os QB adversários e gostava de liderar pelo exemplo. Dickerson fechou a carreira com 27 recuperações de fumble e 22 interceptações, sendo convocado oito vezes consecutivas ao Pro Bowl. Uma séria lesão no joelho o obrigou a encerrar a carreira mais cedo porém deu à Butkus a oportunidade de seguir bem sucedida carreira como comentarista de TV e garoto propaganda.
A década de 70 foi marcada pelas chamadas dinastias do Miami Dolphins e Pittsburg Steelers mas a grande defesa do Bears liderada por Butkus é reverenciada até hoje.
Dan Fouts transfor
mou o San Diego Chargers de um saco de pancadas em um time respeitado pelo resto da liga e inovou a maneira dos QBs jogarem. Dono de um canhão no braço, Fouts aperfeiçoou o lançamento em profundidade e o colocou como uma arma importante no arsenal do Chargers. Entre 1973 até 1987 poucos QB chegaram perto da precisão de Dan Fouts nas bolas longas e ele permanece como um parâmetro seguido pelos olheiros da NFL ao analisarem futuros Qbs.
Melhor jogador da NFL em 1982, escolhido três vezes para o pro Bowl, Fouts levou o San Diego Chargers à duas finais consecutivas da AFC. Porém seria derrotado pelo Oakland Raiders em 1980, apesar das 336 jardas de passe e dois touchdowns, e pelo Cleveland Browns no Ic
e Bowl, o jogo mais frio na história da NFL quando o termômetro bateu nos 50 graus abaixo de zero.
Steve Largent desafiou um preconceito racista que durante muito tempo prevaleceu na NFL. Os Jogadores negros não teriam sucesso como QB e jogadores brancos como WR. Pois este jovem de 1.80 m e 84 kilos se transformou em um gigante nas 14 temporadas que defendeu o Seattle Seahawks. Enfrentando algumas das defesas mais ferozes entre 1976 e 1989 Largent sempre compensou a falta de 'tamanho para a posição' com um tremendo coração. Recrutado pelo Houston Oilers, Largent acabou sendo mandado para o recém criado Seahawks por futuras vagas no recrutamento e lá virou sinônimo de competência. Ele liderou a NFL em jardas de passes nas temporadas de 1979 e 1985, sete vezes foi selecionado para o Pro Bowl e, ao finalizar a carreira, Steve Largent era dono de recordes importantes como o maior número de recepções (819), Jardas de passe (13.089) e recepção de passes de TD (100).
Os anos 80 revelaram Madonna, U2, MTV e confirmaram que "o talento não traz felicidade", deculpe mudei um pouquinho o ditado. De qualquer maneira a maldição de alguns craques não vencerem o Super Bowl continuou crescendo.
Dan Marino O clássico QB do Miami Dolphins foi destaque no meu artigo anterior. E com certeza vai dar um cecadinha em Peyton Manning no Super Bowl.
Warren Moon co
mpletou a missão de Steve Largent. Exorcizar o preconceito que um atleta da raça negra não teria sucesso como QB na NFL. Durante os anos como QB da Universidade de Washington, Warren Moon chegou a ouvir de alguns olheiros que "se James Harris (o único atleta negro a ter jogado com QB na NFL até aquela época) teve pouco sucesso, Moon deveria considerar a posibilidade de jogar em outra posição". Warren Moon se recusou e o preço foi o de não ser recrutado pelos times da NFL. Mas isso não abateu a confiança de Moon que aceitou o convite do Edmonton Eskimos para jogar no Canadá. Ele retribuiu a oportunidade levando os Eskimos ao penta-campeonato da Grey Cup, algo inédito na história da liga Canadense. De volta aos Estados Unidos Warren Moon iniciou uma carreira de 16 anos na NFL que o levaria ao Houston Oilers, Minnesota Vikings, Seattle Seahawks e Kansas City Chiefs. Em 1990 Moon obteve 4.689 jardas de passe entrando para o grupo de Dan Marino e Dan Fouts como os únicos QB a lançarem mais de 4.000 jardas em duas temporadas consecutivas. Apesar de ter passado os primeiros 6 anos da carreira no Canadá, Warren Moon se aposentou como o terceiro em jardas de passe na história da NFL (49.325) e o quarto em touchdowns de passe (291).
A década de 90 também teve seus heróis caidos. Homens que apesar de todo o talento, nunca ergueram o troféu Vince Lombardi.

Barry Sanders deve ter crescido em uma comunidade de Brasileiros lá em Wichita,Kansas. Para ter aquela ginga com a bola e o jogo de cintura para enfrentar uma barra difícil só andando com brasileiros. Barry Sanders completou a evolução dos RB iniciada por Jim Brown e Walter Peyton. Considerado um tampinha para a posição de RB (1m 72cm) Sanders transformou a desvatágem em uma arma mortífera. Ele ignorou a norma que um Rb deveria receber a bola e sair trombando quem estivesse pela frente. Desde a extreia no Detroit Lions em 1989 este curisco da NFL provou que tamanho não é documento. Dono de uma velocidade espetácular e uma explosão digna dos corredores de 100 metros rasos, Barry Sanders criou o estilo de receber a bola, correr de um lado para o outro escapando dos tackles até perceber uma brecha para detonar a corrida.O resultado foram mais de 1.000 jardas corridas em cada uma das 10 temporadas defendendo o Detroit Lions. Graças a Barry Sanders o Detroit Lions se classificou aos playoffs em 1993, 1994, 1995 e 1997, ano que ele rompeu a marca de 2.000 jardas em uma temporada e foi escolhido o jogador mais valioso da NFL.
Jim Kelly passou o que nenhum craque ou torcedor deveria passar. Para quem a
credita em Karma, este grande QB do Buffalo Bills deve ter aprontado poucas e boas em vidas passadas. Jim Kelly não apenas chegou no Super Bowl e perdeu. Mas chegou no Super Bowl QUATRO vezes e perdeu todas. E CONSECUTIVAS!!!
Em 1990 perdeu o Super Bowl para o Giants; em 1991 perdeu o Super Bowl para o Redskins; em 1992 perdeu o Super Bowl para o Cowboys e em 1993 perdeu, (porque não ?) de novo, o Super Bowl para o Cowboys.

Se você pegar o Uruca, Sofrenildo e a Hiena "Oh vida, oh dor" somados não daria para chegar no azar sofrido por Jim Kelly. Recrutado pelo Buffalo Bills em 1986, Kelly caiu como uma luva em um ataque que tinha o RB Thurman Thomas e o WR Andre Reed. Em 11 temporadas ele classificou o Bills aos playoffs oito vezes, foi escolhido cinco vezes para o Pro Bowl e se tornou a quarto jogador a romper a marca de 30.000 jardas no menor tempo de carreira. Dono de um braço/canhão Jim Kelly lançou para mais de 300 jardas em 26 partidas na carreira e ao se aposentar em 1996 apenas Fran Tarkenton, Dan Fouts e Johnny Unitas tinham mais jardas de passe na carreira.
Neste novo século temos um outro craque que ainda não ganhou o Super Bowl, mas poderá acabar com este tabú no proximo domingo. Nem vou citar o nome do artista para não dar azar.

4 Comments:

At Wednesday, January 31, 2007 7:42:00 AM, Anonymous Anonymous said...

O que faltou ao Jim Kelly foi uma visitinha na Bahia pra espantar o mau olhado e conquistar um Super Bowl. 4 derrotas consecutivas no principal evento do esporte americano, é duro de aguentar, deve ter sofrido pacas.

 
At Thursday, February 01, 2007 5:56:00 AM, Anonymous Anonymous said...

pra variar... um otimo texto, Marco, como sempre!!!
mais eu vou citar o nome do craque do seculo XXI p/ ver se dá azar: PEYTON MANNING!!! PEYTON MANNING!!!
eu nao sei pq eu torço tanto contra ele, mas acho q eh por causa da comparaçao c/ meu idolo Dan Marino, e eu nao quero q Manning consiga a unica coisa q Marino nao teve: o anel.
GO BEARS!!!

 
At Thursday, February 01, 2007 11:04:00 PM, Anonymous Anonymous said...

fala Marco..
mais um texto otimo..sempre aprendendo com Marco Alfaro... hehe
e com certeza MAnning nao vai entrar nessa lista,, torce ai tb pro meu COLTS Marco..

abraço
Roger Palmer
GO COLTS!!!

 
At Friday, February 02, 2007 5:55:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Grande Marco !!

Agradeço imensamente pelo carinho de escrever esse artigo para todos nós com base no meu tema! Dizer que está excelente é pouco! É muito triste saber que verdadeiros gênios desse e de outros esportes não conseguiram alcançar o prêmio máximo de suas modalidades... Mas, falando relativamente ao futebol americano, logicamente vimos, durante os anos, muitos jogadores excepcionais ganhando Super Bowls, sendo imortalizados e dando um brilho todo especial a esse título. Mas, em minha opinião, sem dúvida, com tais atletas sendo campeões, aquele troféu brilharia muito mais.

Grande abraço e muito obrigado !

 

Post a Comment

<< Home

<$blogItemTitle$>