Thursday, January 25, 2007

Pagando as dívidas Parte 1

Sempre fico com o coração divido nesta época do ano. De um lado estou vibrando com a expectativa do Super Bowl mas por outro já sinto a tristeza de ver o final de outra temporada da National Football League. Quero aproveitar estes dias que precedem a grande decisão entre o Chicago Bears e Indianapolis Colts para cumprir a promessa de escrever os temas escolhidos pelos cinco vencedores dos bolões do Iron Helmet. Hoje vou falar um pouco sobre um dos clubes mais tradicionais da NFL e um homem que é sinônimo de craque na posição de QB.
Um gran
de abraço Otávio Augusto Selhorst, espero que o meu texto lhe agrade.



Dan Marino e a grande paixão Miami Dolphins.

Tudo começou como parte de uma revolução esportiva nos agitados anos 60. A sociedade Americana estava dividida entre aqueles que eram contra ou a favor da guerra no Vietnãm, os movimentos pelos direitos civis começavam a romper as correntes do racismo e os jovens questionavam a velha forma de viver através de uma simples filosofia: Paz e amor. A recém criada American Football League tinha como plano ampliar o território de influência, e aproveitar a inexistência de um clube da rival Nationall Football League na ensolarada Florida. Incentivados pelo presidente da AFL Lamar Hunt, o ator/comediante Danny Thomas e o empresário Joseph Robbie (que deu o nome ao Joe Robbie Stadium) decidiram em 1965 investir 7.5 milhões de dólares para a criação de um time de futebol americano em Miami. A idéia parecia ter tudo para dar certo mas havia um pequeno problema: O nome do time.
Tantos Robbie co
mo Thomas eram novos no sul da Florida e não conseguiam encontrar um nome que agradasse ao povo da região. A solução para o impasse veio da maneira mais democrática: o voto popular.
Os torcedores em Miami foram convocados à envia
rem por carta (acredite galera naquele tempo não existia email) sugestões de
(Foto Bob Griese na capa da revista Sports Illustrated)
como batizar o clube recém criado. Dezenove mil oitocentos e quarenta e três cartas for
am recebidas pela direção do Miami propondo centenas de nomes. Miami Mariners, Miami Mustangs, Miami Sharks, Miami Suns, Miami Moons e Miami Missiles apareceram entre as idéias dos torcedores mas os proprietários Danny Thomas e Joseph Robbie decidiram ouvir a 'voz do povo' escolhendo o nome mais votado: Miami Dolphins.
6
22 pessoas se apaixonaram pelo golfinho 'Flipper', estrela de um filme de sucesso em 1963 e da série 'Flipper o golfinho' ( a turma da minha geração lembra bem) , e decidiram que Dolphin (golfinho) seria o nome ideal para o time de Miami. "O Dolphin é uma das criaturas mais velozes e inteligentes do mar" anunciou Mr. Robbie "O Dolphin pode atacar e matar um tubarão ou uma baleia. Os marinheiros dizem que a má sorte virá para aquele que machucar um deles". Assim nasceu o Miami Dolphins.
Chamado por muitos torcedores de "fish"(peixe), apesar de ser um mamífero, o Dolphins teve seu momento de glória no começo da década de 70 comandado por Don Shula. O Miami Dolphins se transformou no primeiro clube a ir três vezes consecutivas ao Super Bowl, e o único até hoje a ter uma"temporada perfeita": 17 vitórias, nenhuma derrota e o titulo do Super Bowl.
No começo o mar não estava para Dolphin e a escolha do
novo treinador desagradou à maioria dos torcedores. Don Shula havia sido demitido sumariamente do Baltimore Colts após perder o Super Bowl III para o azarão New York Jets. Porém em Miami o técnico Shula contava com os três mosqueteiros: o QB Bob Griese, o WR Paul Warfield e o guerreiro RB Larry Csonka.
O descrédito em relação à Shula deu lugar ao orgulho de terem um time da Florida, e os torcedores do Miami Dolphins lembrarão para sempre do campeonato de 1972 como a maior conquista na história clube. Uma campanha invícta que dificilmente será igualada por outra equipe da NFL. A caminhada em 1972 teve muitos heróis incluindo o QB reserva Earl Morrall, que substituiu Bob Griese após o titular quebrar o calcanhar na partida contra o San Diego Chargers, mantendo a invencibilidade do Dolphins até a final da AFC. Bob Griese retornou naquela final de conferência para superar o Pittsburg Steelers e, duas semanas depois, conquistar o Super Bowl VII batendo o Washigton Redskins.
Daniel Con
stantine Marino Jr. nasceu no dia 15 de setembro de 1961 em Pittsburgh, Pennsylvania, e para muitos é o maior QB de todos os tempos. Mas este descendente de imigrantes italianos e poloneses quase seguiu uma carreira que o teria levado para longe dos campos da NFL. A primeira chance de Dan Marino como jogador profissional surgiu no beisebol. Astro da escola de segundo grau Central Catholic em Pittsburgh, Dan marino foi recrutado pelo Kansas City Royals da Major League Baseball em 1979. Mas seguindo o conselho da família de que o 'estudo' é o maior patrimônio, Dan Jr. resolveu permanecer na escola e aceitar a bolsa de estudos para jogar no time de futebol americano na Universidade de Pittsburgh. Durante os anos de 1979 até 1982 Dan Marino estabeleceu vários recordes naquela universidade, porém não teve uma boa temporada como senior incluindo a derrota no Cotton Bowl.
Marino fechou a carreira universitária com 79 touchdown, 69 interceptações e pouco interesse dos olheiros da NFL. Isso ficou evidente no recrutamento de 1983 quando cinco QB (entre eles Jim Kelly, John Elway, Tony Eason e Todd Blackledge) foram escolhidos antes de Dan Marino. Na verdade 26 clubes tiveram a chance de recrutarem Marino, mas preferiram outros atletas.
Desprezado pela maioria
da NFL, Marino acabou sendo escolhido pelo campeão da AFC daquele ano Miami Dolphins. O técnico Don Shula queria um Qb com um canhão no braço e que pudesse substituir o ineficiente David Woodley. O Dolphins abriu o campeonato de 1983 com três vitórias, duas derrotas incluindo uma surra de 17x7 contra o New Orleans Saints. Aquilo foi a gota d'agua e o treinador Shula escalou Dan Marino para extreiar frente o Buffalo Bills. O jogo foi dramático sendo decidido na prorrogação. O garoto Marino sofreu um saque, foi interceptado duas vezes mas respondeu conectando 20 de 30 passes para 335 jardas e 5 touchdowns. Naquela primeira temporada Dan Marino conseguiu o recorde de percentual de passes para um calouro (marca que seria quebrada por Ben Roethlisberger em 2004), apenas um aperitivo de uma sequência de recordes.
No transcorrer dos 16 anos na NFL, Dan Marino estabel
eceu dezenas de recordes, muitos dos quais permanecem até hoje.
A marca de maior número de passes completados 4.967 (sup
erada por Brett Favre em 2006), o total de jardas de passe 61.361, passes de Touchdown 420, jardas de passe em um campeonato 5.084, Touchdowns em uma temporada 48 (superado por Peyton Manning em 2004), partidas marcando quatro TD ou mais 21, e o maior número de pontos marcados por um QB na carreira 2.574 .
Porém Dan Marino trocaria todos estes recordes por uma vitória no jogo mais importa
nte da carreira: O Super Bowl XIX contra o San Francisco 49ers. A decisão do campeonato de 1984 permanece como a batalha de gigantes. De um lado o QB Joe Montana e do outro Dan Marino que merecia ter um grupo mais qualificado no Miami Dolphins. Sem um jogo corrido e uma defesa confiável, o Miami Dolphins não teve forças para conter uma avalanche chamada San francisco 49ers. Como esperado, Marino jogou bem conectando 29 passes para 318 jardas e um touchdown. Mas as duas interceptações no território do 49ers acabaram com as esperanças de título do Dolphins e a chance de Dan Marino conquistar o cobiçado anel de campeão. Sem dúvida aquele anel seria um atestado da grandeza deste fenomenal QB porém não impediu que Dan Marino entrasse para o Hall da Fama em 2005. "Quando eu tinha 10 anos de idade meu pai me trouxe até Canton,Ohio. e eu passei o dia com ele no Hall da Fama' declarou Marino no discurso de nomeação ao Hall da Fama "33 anos depois estou aqui com minha mãe, pai, família, companheiros de equipe e amigos. É uma grande emoção e um honra.(...) Quero agradecer aos homens de linha por me protegerem. Aos WR por completarem passes difíceis.(...) Existem tantas pessoas no Dolphins que ajudaram a minha carreira. Agradeço à direção do Miami Dolphins e como QB não poderia ter aprendido de alguém melhor do que o amigo Don Shula. Obrigado a minha esposa Claire e às minhas crianças. Vocês são o meu Hall da Fama".
Criada em 1992 a Fundação Dan Marino já distribuiu cerca de 18 milhões de reais para a pesquisa e tratamento de crianças vítimas do autismo. Em 1995 Marino financiou o estabelecimento de um centro de prevenção e diagnóstico de problemas mentais infantis no Miami Children's Hospital. Atualmente
Dan Marino trabalha como comentarista da NFL para o canal CBS.

8 Comments:

At Friday, January 26, 2007 3:24:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Amigo Marco,
excelente matéria, mostra todo o seu conhecimento do esporte, diria emocionante, hehehe. Ficar insatisfeito é impossivel.
Grande abraço

 
At Saturday, January 27, 2007 5:00:00 AM, Anonymous Anonymous said...

show Marco!!!
excelente materia sobre o Dolphins!!! ateh voltou a me dar esperanças, quem sabe a gente num recruta um Dan Marino nesse draft...

 
At Saturday, January 27, 2007 8:55:00 AM, Anonymous Anonymous said...

Fala MArco, tb achei muitooa a materia,cada dia aprendemos mais com vc amigo,,,

ps: tb estou eliz e triste pelosuper bowl.. chegando a hr de se Deus quiser ver omeu Colts campeão, mas chegando ao fim e mais uma temporada...

abraço Marco

 
At Saturday, January 27, 2007 6:08:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Excelente matéria para relembrar um dos grandes QBs da história da NFL. Eu infelizmente vi pouco dessa safra de QBs da década de 80/90, como Elway, Aikman, Young, Moon e etc. Mas sempre que posso eu vejo os lances dessas lendas, afinal de contas eu jogo de QB aqui no Brasil também.
Então é isso, e continue assim que esse blog vai longe.

 
At Sunday, January 28, 2007 5:01:00 PM, Blogger Alexandre Siqueira said...

Grande Marcão, lindo texto pra variar, quantos destes recordes Dan Marino trocaria por um anel de campeão hein ?? Por isso que acho Joe Montana o maior QB, foi com ele que aprendi a gostar de futebol americano, lógico que isso não tira a categoria de Dan Marino, vamos ver se Payton Manning não vai sofrer do mesmo drama

 
At Sunday, January 28, 2007 5:50:00 PM, Anonymous Anonymous said...

É ele foi bom, eu como niner gosto do Montana, a unica coisa que eu vi do Dan Marino foi um daqueles NFL Films com você e o Dreco que as vezes passava, mas já dava pra ter uma ideia que ele era bom. Mas acho que de todos eu ainda prefiro o Favre, que vi jogar hahaha

 
At Monday, January 29, 2007 8:04:00 AM, Anonymous Anonymous said...

Prezado Marco Alfaro,

O considero o melhor comentarista de esportes americanos e sinto muio sua falta nas transmissões da ESPN. Agora serei leitor assíduo do blog.

Abraço,

Reinaldo Avelar Drumond

 
At Monday, January 29, 2007 8:52:00 PM, Anonymous Anonymous said...

sem duvida... MELHOR COMENTARISTA DE ESPORTES AMERICANOS.. SEM DUVIDA!!!

 

Post a Comment

<< Home

<$blogItemTitle$>