Pagando as dívidas parte 4
Me desculpem os amigos e amigas pelo atraso na publicação de um novo artigo no Iron Helmet mas não consegui escrever após a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro. O tema de hoje foi escolhido pelo amigo Matheus Stauben, um dos vencedores dos palpites sobre as finais da NFL, "uma situação engraçada que aconteceu durante uma transmissão que você participou".
Caro Matheus Stauben espero que você goste.
No picadeiro da TV.Os profissionais que trabalham em qualquer rede de televisão costumam dizer a mesma frase: "Se o público visse o que rola por detrás dos bastidores...". A expressão é válida pois muitas vezes o mais engraçado, inusitado e caótico não chega aos lares dos telespectadores. Não há como negar que as melhores gargalhadas são dadas durante os intervalos comerciais e feito segredo da máfia desaparecem assim que o programa volta ao ar. Mas também acontecem aqueles raros momentos em que mesmo o mais veterano dos homens,ou mulheres, de televisão escorrega em uma casca de banana. Nestas horas não há nada melhor do que rir de si mesmo, compartilhar com as pessoas que estão em casa a nossa humanidade. Especialmente na cobertura esportiva qu
e é um(Foto Luciana Quaresma, D. Nádia Quaresma, Luiz Carlos Largo e Flávio Pereira)
dos últimos bastiões de liberdade e criatividade em uma comunicação de massa cada vez mais robótica e sem tempero. No chamado mundo sério da televisão errar significa perder o respeito dos telespectadores, um temor constante que acompanha os colegas jornalistas na pressão do dia-a-dia. Mas no mundo dos gols, cestas, touchdowns, home runs, bandeiras quadriculadas, cortadas, smash e piruetas acrobáticas nós voltamos por algumas horas às nossas infâncias e o objetivo é trazer a alegria dos esportes à quem nos assisti.
Nos doze anos que trabalhei na ESPN tive a chance de dar boas gargalhadas com e sobre meus antigos colegas. Acredito que este seja o motivo pelo qual a nossa amizade, algo raro neste meio da comunicação, tenha continuado até hoje. Todos nós tropeçamos ao subir na calçada, todos nós levamos a torta de creme no rosto e os bons profissionais são aqueles que responderam com um sorriso e nunca se consideram infalíveis.
Um grande amigo que colecionei na ESPN foi Sérgio Cesário, dono de uma tremenda voz mas sempre nervoso, que junto comigo formou a primeira dupla de apresentadores do Sportscenter. Também no time original do Sportscenter tinhamos a presença feminina de Patrícia Teles. Como em qualquer telejornal o Sportscenter era uma corrida ma
luca(Foto Regis Nestroviski e Luciana Quaresma)
contra o tempo e com um agravante: A redação do Sportscenter ficava em Londres, o texto em inglês era transmitido para nós aqui nos Estados Unidos e os diversos times traduziam e adaptavam para a língua do pais de destino. Em um pequeno trailer em Bristol, apelidado de "a tréla", tinhamos a equipe brasileira (português), latina (espanhol) e chinesa (mandarim e cantonês). O que facilitava muito para pedir comida no restaurante chinês próximo da ESPN. Os carinhas lá em Londres nunca conseguiam mandar o mateiral a tempo. Não foram poucas as vezes que tivemos de correr para a cabine com as histórias pela metade, ler em inglês e fazer tradução simultânea para o português (no ar) ou apenas o aviso que "vai entrar uma matéria sobre alguma coisa". Ou seja, te vira. Pois eu cai de maduro logo no meu primeiro dia na ESPN. Já com o progra
ma em andamento eu recebi uma nota em inglês sobre o British Open de golfe. Lá fui eu olhando em inglês e falando em português. Tudo certinho até sair da minha boca "Belgiam" ao invés de belga. Programa ao vivo não dá para voltar ou fazer remendo. E o pior de tudo foi ver a cara de deboche do Cesário me apontando o dedo. Deixe estar jacaré, eu tive a minha vingança um ano depois. O nosso "Ancora", como gostava de ser chamado o Cesário, estava lendo uma matéria de golfe quando disse "o suéco bold approach, etc, etc". No intervalo perguntei como era mesmo o nome do golfista? Meio sem jeito o Sérgio me disse b-o-l-d a-p-p-r-o-a-c-h e caiu a ficha.O tal "Bold approach" não era o nome do golfista mas uma "aproximação sem medo". Não preciso dizer que tivemos dificuldades para segurarmos as gargalhadas durante o resto do telejornal. O Sportscenter teve seus momentos de ouro como a crise de choro da Patrícia (30 segundo antes de entrar no ar), o grande Luiz Carlos Largo que se confundiu chamando
o Chicago Bears (Ursos) de Chicago Beers(Foto Sérgio Cesario)
(cerveja) ou Marcão Rodrigues que ao tentar dizer os 'transeuntes cruzaram a colina' falou os "traficantes cruzaram a colina".
Mas o grande Cesario acabou achando uma solução para o problema da correria. Zen Budismo. Eu chego na cabine esbaforido com uma matéria de última hora, a menos de um minuto de entrarmos no ar e lá está o Sérgio tirando uns palitinhos da mochila. "Que é isso?" perguntei.
"Vou acender uns incensos para acalmar a gente, isso traz bom astral". "Que??!!". E o Cesário na maior calma: "Eu só consigo me consentrar quando estou calmo". Eu já arancando os cabelos: "Sérgio tú é loco (sotaque gaúcho fora do ar) a fumaça vai disparar o alarme de incêncio". E o Cesário (o Sportscenter entrando no ar) "Pô não tinha pensado nisso".
O pessoal da técnica não poderia passar em branco.(Foto André e Jill Boufar)
Tinhamos a simpática Jill, que aprendeu somente uma frase em português com os colegas brasileiros "quero beijar você", o Irân (fotografo nas horas vagas e que deu um golpe ao cobrar para tirar fotos de um casamento e nunca mais apareceu), Marcelo 'ecuatoriano' ( que arrumou a vida ao casar com um gordinha lá na California), o loquinho Carrera, que pedia para a gente mencionar o nome dele durante os shows como se fosse um dos atletas, o Gustavo que tinha um cachorro que foi chutado pelo Regis Nestrovisky durante um jogo da Copa do Mundo (só por que o juiz não deu um penalti para o Brasil) e o campeão mundial em cometer erros nas contagens de comercial Alberto Flores,MR Sorry Guys!!! O Alberto era bailarino profissional de Salsa e a gente é que acabava dançando quando ele estava na técnica. Você estava muito bem falando e de repente VUPT !!! Cortado no meio da frase pelo comercial. "Alberto o que houve??". "Sorry guys (lame
nto(Foto Alberto' Sorry Guys' Flores)
caras), tem um novo cara no satelite e ele me deu a contagem errada" Novamente no ar e Vupt, cortado de novo pelo comercial " Alberto o que houve?". " Sorry Guys, eu estava escrevendo o relatório do show". E assim era a vida com o Mr. Flores no comando. Porém a maior do Alberto aconteceu na final da Copa Stanley de 2002/03 entre o New Jersey Devils e Anaheim Mighty Ducks. Eu e o André José Adler narramos aquele tremendo jogo sete, o Devils campeão carregando o troféu para a torcida, o André se esmerando para fechar com chave de ouro a temporada da NHL. "Parabéns ao (VUPT cortado pelo comercial). O Alberto esqueceu de dar a contagem encerrando a final da Copa Stanley daquele ano. Não preciso dizer que o Adler queria esganar o Alberto "Sorry guys" Flores.
Por falar no André e a National Hockey League tenho uma boa dele. Estavamos transmitindo o jogo entre Pittsburg Penguins e Chicago Blackhawks. O nobre colega estava de farol baixo após um longo dia de trabalho
. Lá pelas tantas começou a dar(Foto André José Adler)
uma pescadinhas, daquelas que a cabeça cai para a frente.
"André desce até a cafeteria e toma um café". "Não, estou bem" repondeu o teimoso. Passadas duas horas de jogo, puck de um lado para o outro, e o silêncio. Levanto os olhos da papelada e lá está o André em pleno cochilo. Dou uma cutucada nele e a criatura dispara : " É o Dallas Cowboys!!!" Só que a partida era de hockey e não de futebol americano. Ele notou o "Tá maluco?" no meu olhar e emendou "Dallas Cowboys, um dos melhores times da NFL...". Comprovando a tese que Carioca é malandro até dormindo.
Mas ao meu ver a Hour Concour vai para o Roberto Figueroa, parceiro nas transmissões da Major League Baseball. Durante um jogo do campeonato de 2005 apareceu um promo do golfe. Eles pediram para levar uma piada. E o Roberto fazendo voz de Cid More
ira disparou:" Vejam neste final de semana(Foto Roberto Figueroa)
Tiger Woods, Jacob Kreimer, Marco Rodrigues e o amigo do Marcão Príncipe Don Eudes. Aproveitando a deixa citei a origem do nome Tiger.
"Roberto o nome Tiger, do Tiger Woods vem do Vietnãm".
"Vietnãm?" respondeu ele.
"O pai do Tiger lutou na guerra do Vietnãm e escolheu o nome do filho por duas razões".
Antes que a mente poluida do Roberto pudesse dar as razões completei: "Ele uma vez deu de cara com um tigre em uma floresta e este também era o apelido do melhor amigo vietnamita do pai de Tiger Woods". Como eu sabia que o Roberto ia dizer alguma bobagem acrescentei: " O Roberto por exemplo têm três filhos. O primeiro foi batizado Roberto em homenagem ao pai".
"Que uma vez viu um gambá" disse ele.
"Na estrada?"
"No espelho" emendou o Roberto
"Mas não ( tentando segurar a gargalhada) batizou...
"Não, gambá já chega o pai."


18 Comments:
HE HE HE !!!
Boa Marcão, bom poder saber um pouco do que acontecia nos bastidores das transmissões dos jogos e tb poder muitos destes nossos amigos que nunca tivemos o prazer de ver no video, pena que tudo isso não existe mais e que somos obrigados a engolir um pessoal sem graça aqui do Brasil, mas nem tudo pode durar para sempre e garanto que sempre estaremos juntos seja por aqui em qualquer outro canal mas principalmente na nossa memoria, manda um abraço pra esse pessoal que ainda esta ai nos Estados Unidos, Nestrovsky,Flavio Pereira, Lu Quaresma, Roberto Figueroa, Fabio Malavasi
Mais uma que eu vi ao vivo, Marco, no meu primeiro fim de semana como cliente da Espn estava passando o Sportcenter, de tarde, aquelas ediçoes de 30 minutos, passavam imagens do Campeonato Espanhol e a Lucana Quaresma se atrapalhou e disse que o Tarjeta Roja tinha feito um gol, na minha casa ela ficou com apelido de Tarjeta Roja, hehe
haha a história do Dallas Cowboys foi demais!!! Eu imagino como deve ter sido muito divertido mesmo os bastidores, pois se ao vivo vocês já faziam palhaçadas imagina sem ninguem poder escutar! Adorei as fotos!
Ai que otimo!! Realmente nao fazemos ideia do que ocorre...! mas situações engraçadas tem e muitas no ar... pra gente já era otimo!! rs
Lembro um jogo do colorado Avalanche, onde o Roy tinha saido e entrou o Aebischer... vc e André durante alguns bons 15 min... só diziam Roy.. tal tal..
So sei q sinto muita saudades das transmissoes!!
Abraço
São esses pequenos momentos que fazem da convivência algo maravilhoso no trabalho...Saudades de poder presenciar essas loucuras...A do Adler cochilando...kkkk..Até imaginei a cena...ABraços Caro Marco
adoro esses batidores, sao as melhores...
falando em melhores, achei a do André a melhor, hauahua... dei muita risada.. abraços Marco
Que "queimação de filme" caro Marquito!!! Eu já tinha apagado da memória o "bold approach" -- uma vergonha... mas ainda bem que foi há 15 anos... rsrsrs... puxa, como é bom lembrar desse tempo! Dávamos mesmo o sangue por aquele SportsCenter... "uma viagem ao mundo esportivo em 30 minutos..." claro, tudo isso deixa saudades... e quem diria, sai do "esporte" para ir parar na "economia"!!!
O mundo gira... e a gente vai junto!!!
Foi ótimo falar com vc ontem ;) quero mais no seu blog heim! não para, não para, não para... ;)
Vim visitá-lo pq vi no fotolog/touchdown e adorei ler estes lances de bastidores...
Bom conhecer as divertidas lembranças de voces...
Muito bem descrito e ilustrado.
Parabéns.
Abraços.
Grandes lembranças, Markito! Pena que não fica bem a gente falar das pessoas que passaram por lá sem ter nada à ver. Como aquele Hugo que o Werneck contratou quando era o chefe (só pode ter sido por distração) que "conhecia" todos os esportes e perguntou ao Jacob Kreimer num jogo de basquete universitário, ao ver alguém na platéia com o boné do Raiders: "Jacob, você que manja de tenis, o que quer dizer aquela caveira no boné daquele cara? ". Este mesmo Hugo, me foi impingido para comentar alguma coisa (acho que era patinação artística), agradeceu a minha participação como narrador no final do programa! Quase que disse pra ele que não precisava agradecer porque aquele era meu emprego! Lembro que a seguir disse ao Werneck que poderia usá-lo como comentarista exclusivo dele porque comigo não iria mais rolar! hehehe :) Você se lembra?
André vc deveria ter dito para ele que aquela caveira era a dele.
Marco, muito bom, gostei de matar as saudadse de vcs todos.Abração
Muito bom Marco, histórias engraçadíssimas, essa do Marco Antônio foi demais. Que saudades daquela equipe, era sensacional.
Que legal essas estórias, Marco, ve se conta mais pra nós...
fantastico q nos deixa ainda mais com saudades de vcs, "nos" eramos uma familia.
Paulo Colzani
E dai Marcão???Tubo bem por aí?
Fico Muito Agradecido ,com estas histórias,é muito bom saber o que acontecia durante as trasmissõs,eu queria muito ver a cara do Adler dormindo!!!
Igual diria o IVAN "BAM-BAM" Zimmermann:
QUE BELEEEEEEEEEEEEEZA!!!!
Como vocês fazem falta!
Nunca mais assisti uma partida da MLB completa...não tem mais graça!
Um Grande Abraço;;;
Fica com DEUS e
Até logo.
uauhahuahuahuahuahuahua
mto engraçadas essas historias!!!
principalmente a do gamba e a do Bold Approach.
vlw Marco
Ótimo texto, para variar. Muito divertido ficar sabendo das loucuras qe acontecem nos bastidores, além de fazer com que nos identifiquemos mais com vcs profissionais da área, pois passamos a enxergá-los mais como amigos do que como profissionais.
Parabéns pelo blog, virei fã.
A propósito, vais cubrir o draft da NFL? Não nos deixe na mão!!!!
A do Adler é a melhor de todas!!!
esse é um verdadeiro malndro carioca!!! rss...
No mais, como é bom saber dessas deliciosas histórias!!! e por essas e outras que vcs conquistaram a nossa admiração...sua autenticidade e um novo jeito de fazer esporte!!!
parabéns!!!
AAAAAAAH MEU DEUS hahaha foi o melhor!!!
A minha favorita foi a do incenso, mas o extra dado pelo dreco aqui também foi bom.
Acho que voce devia fazer um repeteco desse!
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