Guerra pelas estrelas
Em uma galaxia muito, muito distante
Um império dominava com punhos de ferro e home runs.
O imperador Steinbrenner reinava supremo e as tropas de choque comandadas por Darth Jeter esmagavam qualquer resistência.
Mas no distante planeta Massachusetts um grupo de rebeldes se preparava para destruir a estrela da morte e restituir a liberdade, igualdade e fraternidade no universo da major League.
Feito a trilogia imortal de George Lucas "Guerra nas estrelas", a vitória do Boston Red Sox sobre o New York Yankees em 2004, e a posterior conquista da World Serie, simbolizou a quebra de um longo jejum de títulos e o triunfo do chamado "moneyball" sobre as forças do capital. A filosofia administrativa criada pelo general manager do Oakland Athletics Billy Beane é o oposto do quanto mais gastar, mais se vence na Major League. Segundo Beane o mercado ficou inflacionado pois os times só avaliam os salários dos jogadores ba
seados em estatísticas como o número de RBI's (corridas impulsionadas), aproveitamento no bastão, número de home runs, etc. Porém o que realmente conta quando se fala em valor é o Base percentage (percentual de um jogador chegar nas bases, seja por walk ou rebatida válida) e o Slugging percentage (número de bases obtidas divididas pelo número de vezes no bastão) que melhor indica a potência nas rebatidas. Obedecendo esta fórmula Billy Beane conseguiu ano após ano produzir times competitivos em Oakland sem gastar uma fortuna. De acordo com o "Moneyball" os clubes poderiam destruir o "império do mal" montando times com jogadores mais baratos, porém com um aproveitamento coletivo superior aos grandes nomes do Yankees. O primeiro sucesso desta teoria aconteceu na World Series de 2003 com o Florida Marlins, de 48 milhoões de dólares, levando a melhor sobre o New York Yankees que desembolsava 152 milhões de dólares em salários.A lição não passou desapercebida entre os outros times da MLB e na pacata Boston o general manager Theo Epstein já preparava o retorno dos Jedi Vermelhos. Sabendo que não poderia competir com o arqu
i-rival em matéria de dinheiro, Epstein resolveu usar o "Moneyball" para completar um time que tinha boa parte do orçamento comprometido na manutenção de Pedro Matinez, Manny Ramirez, Johnny Damon e Nomar Garciaparra. A primeira peça no quebra-cabeça do Red Sox foi a contratação de um jogador que sempre ficou aquém das expectativas no Minnesota Twins. O dominicano David Ortiz rebateu 58 home runs em seis temporadas no Twin
s e veio para o Boston pela ninharia de 1.2 milhão por um ano de contrato. Big Pappy deu juros e correção monetária batendo 31 home runs logo no primeiro ano vestindo as cores do Boston Red Sox. O matreiro Epstein conseguiu outra barganha ao trazer o terceira base Bill Mueller. Sem qualquer perspectiva de título no Chicago Cubs, Mueller aceitou a oferta de 4.5 milhões por dois anos de contrato em Boston. O raçudo Mueller justificou a contratação ao conquistar o título de rebatidas (número de rebatidas divididas pelo número de oportunidades com o bastão
) na temporada de 2003 ( média de 32.6 %). Completando a fórmula, o jogador escolhido para ocupar a amaldiçoada primeira base do Red Sox estava bem longe dos Estados Unidos: Kevin Millar. Ele que também poderia ser chamado de 'Mr. Azarão'. Contratado um ano após o título do Florida Marlins em 1997, Millar acabou sendo negociado com o Chunichi Dragons do Japão em 2002 (um ano antes do bi-campeonato do Marlins). Desiludido e pensando em se aposentar, Kevin Millar aceitou a proposta do Boston Red Sox de voltar à Major League pelo salário reduzido de 5.3 milhões por dois anos de contrato. Rapidamente Millar se transformou em
um dos líderes do "time dos Idiótas" (carinhoso apelido dado por Johnny Damon e um deboche aos críticos do Red Sox) sendo o autor da frase: "quando as coisas estão difíceis tem que Cowboy UP ( em referência a garra do Cowboys se segurando na sela quando o cavalo está corcovando em um rodeio). Por apenas 5.3 milhões de dólares, trocados no mundo da Major League, Theo Epstein adquiriu David Ortiz, Bill Mueler e Kevin Millar responsáveis por 75 HRs e 282 corridas em 2003. Mas o que parecia ser uma temporada de sonhos acabou, novamente, em uma derrota para o Yankees na final da Liga Americana. O técnico Grady Little demorou para tirar Pedro Martinez e o resto é história. Uma coisa ficou daquele desastre: o Moneyball colocou o Red Sox no caminho certo. No cameonato seguinte Theo Epstein usou os recursos poupados em 2003 para trazer o astro do Arizona Diamondbacks Curt Schilling (37.5 milhões por três anos), o closer do Oakland A's keith Foulke ( 20.2 milhões por três anos) e o resultado foi o primeiro título do Boston Red Sox em 86 anos. Talvez embriagado pel
o sucesso em 2004, o Red Sox abandonou a filosofia do moneyball e feito político brasileiro começou a queimar dinheiro. Negando o princípio de que nem sempre gastar muito significa vencer, a direção do Boston resolveu entrar no páreo de quem gastava mais do que o Yankees. O clube investiu a exorbitância de 25 milhões no pouco confiável Matt Clement e ao mesmo tempo permitiu a saida de Pedro Martinez, responsável pelo renascimento do New York Mets, e Derek Lo
we que mesmo contratado pelo Los Angeles Dodgers recebeu o anel de campeão de 2004 vestindo a camiseta do Boston Red Sox. Um tapa de luva na direção do antigo clube. O tiro no pé que foi adquirir Matt clement em 2005 obrigou a direção do Red sox a desembolsar mais dinheiro no ano seguinte. Seria como o apostador na roleta do casino que acredita em recuperar o dinheiro perdido comprando mais fichas. Theo Epstein visitou o Florida Marlins e voltou para casa carregado. O Red Sox assumiu o contrato de 18 milhões de dólares por dois anos com o semi-aposentado Mike Lowell e contratou Josh Beckett mesmo sabendo que o arremessador teria passe-livre
em 2006. Se não bastasse o estouro de caixa para trazer Lowell e Beckett, os meias vermelhas ainda mandaram para o Marlins os dois melhores prata-da-casa: O shortstop Hanley Ramirez, calouro do ano da Liga Nacional em 2006, e o arremessador Anibal Sanchez que fechou a primeira temporada como profissional empilhando 10 vitórias, 3 derrotas e uma ótima média de 2.83. Mesmo quebrando o cofrinho o Red Sox não conseguiu ir aos playoffs em 2006 e pelo que tudo indica a velha cautela nos gastos do moneyball é coisa do passado. Sim, feito a música o time já empenhou até as roupas. Apesar da irregularidade Josh Beckett embolsou 30 milhões por uma renovação de três anos, J.D. Drew está dando gargalhadas até hoje ao assinar um contrato de 70 milhões de dólares por 7 anos e o Red Sox botou na mesa 51 milhões de dólares apenas para ter o direito de exclusividade na negociação de Daisuke Matsuzaka. O arremessador Japones disse sim, por outros 52 mi
lhões. Ou seja apesar das credenciais de Matsuzaka, astro da seleção Japonesa que conquistou o Clássico Mundial, o Red Sox investiu 103 milhões de dólares por um jogador sem qualquer experiência na Major League. A lição deste conto é que o Dark side corrompe até os corações mais valentes. A batalha para acabar com a maldição do bambino ficou no passado e assim como Darth Vader já foi Jedi este Boston Red Sox, que paga uma média 9 milhões de dolares em salários, lembra muito aquele imperio do mal que tanto lutou para derrotar. Será que ainda existem esperanças de títulos para os pequeninos da Major League ou estamos as vésperas de ver um novo "O império contra-ataca".


7 Comments:
Marco, adoro ler seus posts sempre muito informativos e cheios de humor.
Eu por minha parte, espero que o Yankees se recupere e volte a ser o Yankees que assustava todos .. vamos ver o que este ano nos reserva. Abraços
Concordo com a Nadia, ate pq o Yankees esta fazendo o caminho inverso(nao chega a ser uma guinada radical, mas é um começo) ou seja esta largando os veteranos encrenqueiros e dando chances a bons novatos, alias gostei muito do tal de Sardinha, jogador de futuro
Marcão!!! acredito q os pequenos ainda tem chances de lutar e de até vencer os "DAVIS", exemplo: o Tigers na ultima temporada, alguem acerditava?
o q imagino é que teremos mais uma temporada emocionante...sem dúvidas...estarei ligados nos Angels...mas acho q este é o ano do "império Yankee" voltar a Vencer, hehehe
abs!!! e parabéns pelo Artigo!
show Marco!!!
mais uma vez sensacional!!!
e esse ano eh GIANTS na cabeça!!!
Tomara que todas essas medidas ajudem o Red Sox a trilhar o caminho das vitórias. Caramba. 103 milhões de dólares por um jogador. Dinheiro deve tá sobrando pelas bandas de Boston.
Go Bosox!
belo texto pra variar, só gostaria q essas pessoas q gastam tanto dinheiro com determinados jogadores caisem na real e q eles vejam q não adianta ter muito dinheiro se essers caras não jogarem com o coração, mesmo assim atomara q de red sox. um abraço
Marco ...
Parabéns pelo teu trabalho. A vida é mesmo surpreendente e a gente acaba encontrando as pessoas em lugares inusitados. Fico muito feliz com teu sucesso profissional e estou na primeira fila da tua torcida organizada. Espero que lembres desta tua antiga colega de FAMECOS e de estrada.
Lena Obst
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