Wednesday, November 29, 2006

Crise na terra de gigantes

Foto Jim Mclasaac/Getty
O atual momento do New York Giants me faz lembrar um velho ditado popular: "Em casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razao". Pois este é o clima neste Giants que estava cotado para ir ao Super Bowl e que se transformou em motivo de piada entre as equipes da NFL. Nunca na história do New York Giants o clube sofreu uma humilhação tão grande como na derrota para o
Tennessee Titans. Restando menos de 10 minutos para o final da partida, e vencendo por (21x0), os gigantes de Nova Iorque se transformaram nos pequeninos de lilliput assustados com um Titans que havia perdido sete das dez partidas disputadas. Naquele fatídico quarto periodo o pequeno principe Eli Manning sofreu duas interceptações em três posses de bola, Plaxico Burres pareceu encerrar o expediente mais cedo não querendo fazer o tackle em Pacman Jones após a bola
(foto Mary Altaffer/AP)
ser interceptada pelo CB adversário, o popular Tiki Barber, que costuma botar a boca no mundo por não
receber a bola, conseguiu apenas 16 jardas em 6 tentativas de corrida, o calouro DE Mathias Kiwanuka desistiu de conseguir um sack (pensou que seria penalizado) em cima de Vince Young quando tinha o QB do Titans nas mãos, a orgulhosa defesa do Giants desmoronou permitindo 3 touchdowns e um field goal= 24 pontos em apenas 9 minutos e 27 segundos e o treinador Tom Coughlin perdeu o controle emocional gesticulando feito um lunático na lateral do gramado.
Em todos estes anos acompanhando a NFL eu jamais havia visto um time sucumbir a uma sequência quase inacreditável de erros como o New York Giants no domingo.
Só para termos uma idéia do tamanho desta façanha, a última vez que o Titans marcou três TDs virando um placar no quarto periodo o time ainda se chamava Houston Oilers no inicio dos anos 70. Porém esta crise, me perdoem o termo, gigantesca que explodiu logo ao término da partida na verdade tem raizes mais antigas. O falecido proprietário do New York Giants Wellington Mara resolveu adotar medidas drásticas em 2003 demitindo o treinado Jim Fassel pois o considerava "amigo demais" dos jogadores e que estes eram indisciplinados, desunidos e que muitos só pensavam em aparecer na midia novaiorquina. O remédio encontrado foi
(foto Mary Altaffer/AP)
a contratação do pitbull Tom Coughlin que ganhou a fama de disciplinador quando dirigia o Jacksonville Jaguars. Sem muitas firulas Coughlin estabeleceu um regime duro ao assumir o Giants. O novo treinador proibiu entre out
ras coisas o uso de cabelos compridos (eterna briga com o TE Jeremy Shockey), telefones celulares quando estivessem no centro de treinamentos, música alta (principalmente hip hop) e o maior dos pecados segundo Coughlin, chegarem um segundo se quer atrasados nas reuniões. Desde o principio este sistema rigoroso de Coughlin encontrou resistência entre os jogadores, como fizeram questão de informarem a imprensa os lideres Tiki Barber e Michel Strahan. Entre críticas veladas ao conhecimento de futebol americano do técnico, deboches sobre as manias do novo comandante e desculpas pelos fracassos em 2004 e 2005, o trio Barber/Strahan/Shockey conseguiu minar a autoridade do atual treinador. Os amigos devem lembrar de conversas anteriores nas quais alertei sobre a possível saida de Tom Coughlin devido as forças subversivas, (usando um linguajar do tempo da ditadura). A demissão de Tom Coughlin, que na minha opinião seria um equívoco do Giants, só nao aconteceu graças ao pulso firme do atual proprietário John Mara. O presidente sabe que este plantel fala como campeão do Super Bowl mas não tem o anel para justificar esta arrogância e que dentro deste grupo existem individuos pensando mais na projeção pessoal do que no bem coletivo. O sempre
(foto Mark Humphrey/AP)
comunicativo Tiki Barber já havia atirado o treinador Coughlin aos leões depois da derrota frente o Carolina
Panthers nos playoffs de 2005: "Eles tinham um bom esquema" disse Barber em relação ao Panthers "penso que eles foram melhores treinados.Não acho que Plaxico teve sequer uma recepção. Isto é um testamento que o nosso plano de jogo não era o certo". Pois o Rb/apresentador de tv/garoto propaganda/autor de livros infantis voltou a metralhar Tom Coughlin logo após a derrota para o Jacksonville alegando que "o time abandonou cedo demais o jogo corrido... um time precisava mostrar convicção em campo, isso é obvio para qualquer pessoa (leia-se Coughlin) que tiver um conhecimento básico do futebol americano". O TE Jeremy Shockey, que volta e meia aparece diante das cameras reclamando dos companheiros, veio a público depois do tropeço diante do Chicago Bears para informar que o time não estava preparado. E para encerrar a sessão veneno do trio ternura, Michel Straham aproveitou o fiasco diante do Titans para disparar insinuações sobre a falta de esforço do companheiro Plaxico Burres. As quais refletiram como uma falta de disciplina por parte do treinador. Resumindo todo este dramalhão mexicano no New York Giants temos um Qb Eli Manning que veio para ser o salvador-da-pátria e ainda não justificou o investimento, um WR Plaxico Burres que trouxe o talento mas também a falta
(foto
Jim Mclsaac/Getty)
de esforço dos tempos do Pittsburg Steelers, Um RB Tiki Barber que já anunciou a aposentadoria ao final do ano pois
"tem outros interesses no mundo da midia", um TE Jeremy Shockey que se recusou a juntarsse aos companheiros no inicio da preparacao fisica preferindo ficar com os amigos em Miami, uma linha de ataque que sofreu 20 saques em 11 partidas, uma defesa que pensa ser melhor do que é na realidade e um treinador que esta perdendo o controle do grupo. Se isso não bastasse para tirar o sono dos torcedores do Giants, o próximo adversário será o Dallas Cowboys de Bill Parcells que adoraria botar mais gasolina no incêndio do ex-clube. A partida de domingo deverá ao meu ver decidir a temporada 2006 deste New York Giants e, possivelmente, o caminhos a serem seguidos pelo Big Blue nos proximos anos.

1 Comments:

At Monday, December 04, 2006 8:02:00 AM, Blogger Carlos Lopes said...

votuO jogo entre Cowboys e Giants foi ontem e, apesar do resultado apertado, foi mais uma derrota da equipe novaiorquina.

Derrota essa que expõe ainda mais os fatos que você alega no texto: falta de vontade por parte de alguns atletas, fritura do técnico, egos fora de controle. O time do Giants é bom, mas pensa que é sobrenatural.

Já está mal na briga pela vaga de wild card e sinceramente eu espero que o Falcons consiga entrar nos playoffs, para que a crise dos gigantes chegue ao seu ápice e que atitudes sejam tomadas.

 

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