Thursday, November 02, 2006

É tão difícil dizer adeus



( foto Robert Caplin/ New York Times)

É sempre difícil dizer adeus ao que amamos profundamente.A despedida parece ser algo tão terrível que nos agarramos com todas as forcas de nossa esperança tentando parar o tempo. Porêm como diria o saudoso Cazuza "o tempo não pára" e chegou o momento de Curtis Martin aceitar o inevitável: o fim de uma carreira que brilhou dentro e fora dos gramados da NFL. Ainda sofrendo as consequências da lesão no joelho direito, Martin confirmou que este ano não irá jogar pelo New York Jets mas se negou a dizer a palavra aposentadoria. "Foi uma decisão muito difícil. Mesmo sabendo qual seria o resultado cheguei a ligar para os médicos e pedi uma última consulta. Mas no fundo eu sabia qual seria o resultado. Assim resolvi não jogar nesta temporada".
Nestes tempos em que os grandes nomes dos esportes parecem criar mais manchetes através de escândalos amorosos, a exibição ostensiva de dinheiro, envolvimentos com a polícia ou uso de substâncias ilegais este jovem de fala mansa nos fez lembrar durante 11 temporadas como são os verdadeiros ídolos e ganhou o apelido tão merecido de Curtis "boa gente" Martin.
Eu poderia desfilar aqui as estatísticas que um dia irão levar Curtis Martin ao Hall da Fama da Natonal Football League e ter o número 28 aposentado para sempre no New York Jets. As 14.101 jardas corridas que o colocam como o quarto running back de todos os tempos somente atras de (foto Bill Koustrin/AP) Emmitt Smith, Walter Payton e Barry Sander; o total de 100 TD entre passes e corridas; a convocação para o Pro Bowl logo no primeiro ano como calouro do New England Patriots, o título de melhor RB da NFL em 2004, ser escolhido cinco vezes para ir ao Pro Bowl ou os momentos inesquecíveis que deixou na memória dos torcedores do Jets. Mas a obra deste homem simples vai alêm das estatísticas e prefiro admirar Curtis Martin pela dignidade que nos presenteou.
Se você nunca visitou Nova Iorque, ficará maravilhado com as luzes e beleza do chamado Times Square bem no coração de Manhattan. Mas esta imagem cristalina da famosa rua 42 está muito longe do Times Square de 10, 15 anos atrás. Os arredores do Port Authority (estação central dos ônibus) era um refúgio de mendigos, prostitutas e usuários de drogas. Um lugar sujo durante o dia e extremamente perigoso a noite. Sem dúvida uma parte da cidade que homens e mulheres "de bem" procuravam evitar. Pois ao desembarcar em Nova Iorque no inicio de 1998 (em uma tumultuada saida do New England que também trouxe o treinador Bill Parcels para o Jets) Curtis Martin preferiu se afastar das luzes da Broadway. Durante aquela primeira temporada no Jets um reporter recebeu informações e resolveu investigar. Armado de coragem, e uma camera, o jornalista chegou no Port Authority e lá estava Curtis Martin, sem nenhuma fanfarra, sem ao menos dizer quem era, servindo refeições para os mais necessitados. Após pedir permissão ao New York Jets, Martin se vonluntarizou para ajudar no bandejão público. Talvés por conhecer bem aquela realidade: "Eu cresci em uma area muito pobre de Pittsburg. Eu, meus irmãos e irmas ficavamos esperando a chegada da nossa mãe para sabermos se teriamos o que comer a noite". Assim como em tantos exemplos no nosso futebol, Curtis Martin soube usar o talento nos campos para obter uma bolsa de estudos na Universidade de Pittsburg e retirar a familia de uma vida na qual a violência era parte do dia-a-dia. "A maioria dos meus amigos de infância ou estão mortos ou estão na cadeia. Se não fosse o football talves eu também não tivesse conseguido" confessou uma vez o tímido Martin. Ao longo de 33 anos de existência este atleta tem sido um exemplo de perseverançaa e para aqueles que se sentem abandonados Martin não escolhe palavras politicamente corretas ou reprime uma fé que sempre o acompanhou: "Acredito em milagres pois uma vez aconteceu comigo. Minha mãe não me deixava brincar na rua pois tinha medo que eu me envolvesse com os traficantes. A minha vida era escola, jogal football e voltar para casa". Porêm o sorriso juvenil rapidamente desaparece "um dia eu estava retornando quando este sujeito veio em minha direção e disse que ele iria me matar. Vi o cano do revolver apontado para os meus olhos. Ele puxou o gatilho uma vez, duas vezes e a arma não disparou. O traficante saiu correndo e eu voltei para casa pois Deus me salvou". Desde então Curtis Martin dedicou sua vida não apenas a brilhar nos campos da NFL mas estender a mão aos mais carentes. Junto com outros atletas da NFL, Martin tem participado de obras beneficientes como a reconstrucao de casas em Saint Louis através da ONG United Way. Conhecido pelas doações à causas sociais ele também tem participado em um trabalho de orientação e apoio à alunos de escolas de areas pobres aqui nos estados Unidos.
Por tudo isso, pelo puro talento em mais de uma decada na NFL e o exemplo para as novas gerações meu muito obrigado Curtis"boa gente" Martin.
Você meu caro leitor,especialmente os torcedores e torcedoras do Jets, não fique triste pois o veterano Mar
tin segue marcando seus touchdowns. Após namorar a bela Tony Braxton, agora está desfrutando os talentos musicais de Michelle Williams integrante do trio Destiny's Child. Pelo jeito o nosso velho amigo Martin ainda não esqueceu como chegar na end zone...





1 Comments:

At Friday, November 03, 2006 8:18:00 AM, Blogger Carlos Lopes said...

Infelizmente não tive a chance de vê-lo jogar, mas o exemplo que ele deixa para esses chamados "atletas" que são constantemente notícia por prisões e uso de substâncias ilegais já faz de Curtis Martin um grande homem.

Abração, Marco!

 

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