Monday, November 20, 2006

O URSO ACORDOU

Existem apenas duas formas de se marcar um touchdown: Lançando ou correndo. Antes que os meus caros amigos e amigas pulem das cadeiras devo dizer que o touchdown de defesa, que também vale, e> uma daquelas surpresas que acontecem no transcorrer de nossas vidas. Nenhum torcedor vai para o estádio pensando "acho que hoje meu time vai interceptar um passe e correr para TD". Se pararmos para pensar, a simples escolha do método de se marcar um touchdown reflete duas linhas de pensamento em relação ao esporte e, mesmo com tantos avanços tecnológicos, como as raizes do futebol americano permanecem vivas em equipes como o Chicago Bears.
(foto Jim Mclsaac;Getty)
Após uma década hibernando, o Urso acordou com fome de titulo e volta presentando a mesma formula que o levou a conquistar o Super Bowl em janeiro de 1986. Uma defesa sufocante e um ataque que tem como meta cadenciar o jogo.
Ao contrário do multi- talentoso/moderno e visualmente cativante Indianapolis Colts, o estilo de jogar deste Chicago Bears talvez não encante aos paladares mais sofisticados. Mas para aqueles que como eu gostam do FA operário, de superção, de luta por cada jarda na linha de scrimmage este Bears treinado por Lovie Smith e> a grata reafirmação de que o futebol americano não virou apenas espetáculo.
Embora compartilhe com o Colts a melhor campanha até o momento, o Chicago Bears não recebe nem de longe a mesma atenção dada ao time de Payton Manning. Acredito que isso se deva ao choque entre as duas filosofias de ataque na National Footbal League, o jogo cerebral contra a pura raça. De um lado temos um futebol americano jogado com velocidade, aberto e desenhado para encantar os olhos dos telespectadores. Este estilo que nasceu no ataque West Coast do San Francisco 49ers, passou pelas as mãos do Saint Louis Rams e atualmente é a marca registrada do Indianapolis Colts sem dúvida ajudou a
(foto Jim Mclsaas;Getty)
popularização da NFL ao redor do mundo. Do outro lado temos um futebol Americano baseado no controle da posse da bola, na imposição física sobre o inimigo, e tem um grande apelo entre os torcedores que veem o jogo como um duelo no velho oeste. Esta postura, esta atitude de um exercito marchando para a batalha é evidente em equipes como o Pittsburg Steelers, Denver Broncos e nesta temporada tem seu maior representante no Chicago Bears.

Não posso fugir as comparações entre o atual Chicago Bears e o time campeão em 1985. O Bears dos anos 80 deu o primeiro emprego como trenador principal a Mike Ditka (que por 9 anos havia trabalhado como assistente do técnico Tom Landry no Dallas Cowboys) e este mesmo clube ofereceu para Lovie Smith (ex-coord Def. Saint Louis Rams e assistente no Tampa Bay Buccanners) a oportunidade de comandar uma equipe da NFL. Os dois assumiram o Bears com o clube tentando sair de uma sequência de fracassos e ambos foram buscar no passado da NFL a receita de sucesso: Construir uma defesa que alêm de anular o adversário também consiga criar situações em campo favoráveis ao ataque do Bears. Para conseguir este objetivo em 1985 o então coordenador defensivo Buddy Ryan (futuro treinador do Philadelphia Eagles e Arizona Cardinals) criou um esquema tático apelidado "defesa 46" que revolucionou a postura tatica na NFL. Esta formação defensiva com 4 Lineman 4 LB e apenas 3 na secundária tinha como função anular o jogo de corridas dos adversários e atacar o QB com blitzes em quase todos os lances. Em uma época pre-West Coast offense do 49ers,
(foto Julie Jacobson;AP)
o sistema defensivo montado pelo Chicago Bears seria o principal responsável por uma campanha de (15-1) sendo que a única derrota aconteceria frente o Miami Dolphins de Dan Marino. Por coincidência, ou sina, o mesmo Dolphins foi o responsável por interromper a sequência de vitórias do Chicago Bears este ano.

Sempre considerei aquela defesa do Bears de 1985 como a melhor defesa de todos os tempos, e o grupo que incluia o "coronel" Richard Dent e o "refrigerador" William Perry conseguiu algo que dificilmente será igualado por outra equipe. Não sofrer sequer um ponto nas duas partidas dos playoffs (contra o Giants e Rams) e permitir apenas 10 pontos na conquista do SuperBowl frente o New England Patriots. Por esta razão preciso ter cautela ao colocar lado-a-lado o atual plantel do Bears e aquele grupo campeão. Da mesma maneira que seria injusto compararmos qualquer seleção Brasileira com o grupo imortal que conquistou a Copa do Mundo no Mexico em 1970. O Chicago Bears deste ano atua com uma formação de defesa 4-3, já que a famosa "defesa 46" se tornou obsoleta, mas a ferocidade permanece a mesma dos velhos tempos com Adewale Ogunleye e Mark Anderson na linha de frente e Brian Urlacher e Lance Briggs no grupo de LB. Se na defesa a nova versão do Bears lembra o time dos anos 80, no ataque também existem algumas semelhanças. Assim como Jim Macmahon
(foto Bill Kostroun;AP)
nunca foi um QB excepcional, Rex Grossman tem somente a missão de fazer o tradicional "feijao com arroz". O velho e novo Bears possuem o mesmo metódico jogo de corridas, até pelo alto número de interceptações sofridas pelo jovem Grossman, mas a grande diferença entre os dois esta na ausência do saudoso Walter Payton. O fenomenal RB, e um dos três melhores de todos os tempos em meu album de figurinhas, teve a melhor temporada da carreira em 1985. Walter Payton correu 1551 jardas e também liderou o Chicago em recepções (49) 482 jardas.
Porêm ao meu ver a maior distinção entre os dois times esta na aura de invencibilidade que aquele time de 1985 possuia e que, apesar dos triunfos neste campeonato, o Bears de 2006 ainda nao conseguiu. A boa notícia para os torcedores do Chicago é que este time ainda não atingiu seu apice e mesmo assim faz a melhor campanha entre todos os times da NFC. O Chicago Bears disputou duas partidas aqui em Nova Iorque. Jogou bonito contra o Giants e jogou feio contra o Jets mas ao final o resultado foi o mesmo:vitória. É cedo para os jogadores do Bears sonharem com o grande jogo em Miami mas o provável mando de campo no congelado Soldier Field será uma armadilha do Urso aos caçadores desavisados.

4 Comments:

At Tuesday, November 21, 2006 8:55:00 AM, Blogger Carlos Lopes said...

Esse time do Bears é realmente contagiante. Aquela derrota pro Dolphins foi inexplicável, mas veio na época certa: antes dos playoffs. Agora é esperar pra ver até onde os ursos têm capacidade de chegar.

Abração, Marco!!!

 
At Wednesday, November 22, 2006 8:09:00 AM, Anonymous Anonymous said...

Oi Marco, eu nao acompanho muito a NFL, por isso quero te perguntar sobre a MLB. Voce poderia fazer um post (se ja fez desculpe, nao li) sobre as especulações do mercado de trocas e novas contratações. Especialmente do meu Yankees
Abração!

 
At Wednesday, November 22, 2006 8:50:00 AM, Anonymous Anonymous said...

É, caro Marco, o grande exemplo dos Bears é a superação, a capacidade de passar por cima de limites.
Vamos ver até onde eles chegam!

Grande Abraço!

 
At Friday, November 24, 2006 8:55:00 AM, Anonymous Anonymous said...

Hola Marco...
Começei a acompanhar a NFL recentemente, na epoca em que vc e o Andre José Adler narravam na ESPN... Este ano, graças aos fantasys e meu interesse cada vez maior pelo esporte, tenho acompanhado mais de perto a temporada...
Pelo que nota-se, aquele Bears de 85 era um baita time... Este agora de 2006 esta realmente bom, porem tenho de concordar contigo, que esse Bears atual nao esta "imbativel"... Varias partidas jogaram mal, porem venceram... Graças a defesa...
Nao lembro contra quem foi um jogo, mas foi o SNF ou o MNF... O ataque foi horrivel.. Rex Grossman interceptado 2 vezes e cedendo 2 fumbles (ou mais que isso, nao tenho certeza)... Porem a defesa levou o time nas costas e fez uma virada maravilhosa, com direto a retorno de Punt pra TD!
Seria interessante um jogo Colts vs Bears... Nao sei se acontecera na temporada regular, ou soh nos playoffs, mas vai ser um jogao =D
Abrcs...

 

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