Tour de farsa ou Phenix???
(Torcedora e a manchete "A morte do Tour" Foto BBC Sports)
Compartilho o sentimento de tantos amigos e amigas que me escreveram desgostosos com o atual estado do Tour de France. A mais tradicional volta ciclística do mundo se transformou em um picadeiro aonde desonra, desrespeito ao público e o uso de meios ilegais n
a busca da vitória se transformaram em uma prática comum que envergonharia os homens que escreveram a história deste evento tão importante. Porém precisamos ter clareza no julgamento para fazermos justiça aos inocentes e reconhecermos que a infestação das drogas no ciclismo é parte de uma guerra que já teve como campo de batalha outras modalidades como o atletismo, natação, alterofilismo, só para citar alguns, e vem obrigando os dirigentes do futebol, beisebol e futebol americano a tomarem providências. A dopagem esportiva tem sua origem em uma parte lamentável da natureza humanana na qual 'vencer justifica os meios', e a crescente falência dos valores morais em nossa sociedade atesta a proliferação desta epidemia. Trapacear virou um "mal nescessário" nos espo
rtes, na política, na administração pública, no trabalho, nas relações familiares e até mesmo no amor. O atual Tour de France é um reflexo da sociedade na qual vivemos. Porém são nos momentos de maior crise que a humanidade encontra seus caminhos de renovação, de renascimento e os sinais deste processo começam a surgir mesmo na hora mais sombria da Volta da França. A repugnante herança deixada pela atual geração de aceitar o convívio das drogas com o ciclismo tem causado revolta entre os jovens ciclistas que terão de lavar a lama atirada sobre um esporte magnífico. Na minha coluna do dia 6 de julho pedi, com os dedos cruzados, por um Tour de France sem doping mas no fundo sabia que as raízes deste problema eram profundas (Favor ler a minha coluna "A hora de limpar o Tour"). O "vale-tudo" para ser campeão não é algo novo no Tour de France e aconteceu logo n
a primeira edição em 1903 com alguns ciclistas usando éter, mas se tornou preocupante após o trágico falescimento de um competidor nos anos 60. No Tour de France de 1967 o ciclista britânico Tom Simpson morreu de exaustão durante a escalada do Mont Venteoux, e durante a autópsia ficou constatado que a causa-morte foi a ingestão de afetaminas, álcool e um diurético pouco antes do início daquela dura etapa nos Alpes. No local aonde Simpson perdeu a vida existe um memorial mas, tentando tapar o sol com a peneira em relação a existência do doping no ciclismo, a direção do Tour de France se recusou a fazer qualquer homenagem à Tom Simpson nos 40 anos desde o falescimento do ciclista. Alias esta política de olhar para o outr
o lado seguida pela União Ciclística Internacional, o senhor Jean Marie Leblanc (que comandou o Tour de France de 1995 até a aposentadoria em 2005), diretores e médicos de equipes levou a este cenário de descrédito que vive o ciclismo. O resultado de três décadas colocando a "sujeira debaixo do tapete" resultou em uma revolta aberta do público, dos ciclistas que nada tem a ver com o doping, da nova direção do Tour, das grandes equipes e patrocinadores conscientes que o ciclismo, como esporte de primeira grandeza, vive uma luta de vida ou morte. Já podemos ver os primeiros indícios desta renovação forçada do ciclismo que irá destruir a reputação profissional de muitas pessoas ligadas ao esporte mas também resultará na limpeza que os aficionados exigem. A desclassificação do campeão de 2005 Floyd Landis, por falhar no teste anti-dopagem, marcou o pri
meiro ano de Christian Prudhomme como diretor do Tour de France e continuou nesta edição com a expulsão de Michael Rasmussem, por não comparecer a dois testes anti-dopagem obrigatórios da UCI e nem dar paradeiro, quando o dinamarques vestia a camiseta amarela de líder. O próximo passo deverá ser o afastamento da Amaury Sport Organization (ASO), empresa dona dos direitos da Volta da França, em relação a União Ciclistica Internacional. Sentindo a perda de valor de mercado do tour, o novo chefão Prudhomme exige uma fiscalização mais rígida da UCI no controle anti-dopagem durante o ano todo, em todos os países, e não apenas nas vésperas do Tour de France. Como a Volta da frança é o grande evento do ciclismo seria apenas o palco aonde as mazelas deste esporte vem à tona. Este rompimento da direção do Tour de France, que poderá levar a uma guerra mundial contra a UCI, reflet
e o desejo de reforma que vem unindo vários setores. Mesmo durante a realização deste Tour o alemão Linus Gerdemann, um dos destaques da nova geração de ciclistas e que chegou a vestir a camiseta amarela de líder do Tour de France, refletiu o sentimento de muitos ao mencionar seis vezes a palavra "limpo" durante a coletiva ao final da sétima etapa. Diferente de alguns nomes famosos, Linus não fugiu das perguntas descrevendo como as drogas tem causado mal ao ciclismo e disse compreender as dúvidas dos torcedores:" É realmente duro para os jovens ciclistas assumirem a responsabilidade neste momento. Mas o esporte me deu muito no passado e agora penso que é o momento certo de dar algo de volta". O claro desagravo dos jovens ciclistas repercutiu junto a alguns dirigentes de equipes preocupados em preservarem a imagem dos patrocinadores e darem uma satisfação ao protestos cada vez maiores dos fans. "É adaptar ou morrer" declarou Bob Stapleton, responsável por limpar a equipe T-mobile. Ele vê a nova política de controle como a única fora de manter vivo o ciclismo. A tradicional equipe alemã foi humilhada pelas descobertas das autoridades espanholas na operação Puerto, o integrante da T-mobile e ex-campeão do tour Jan Ulrich era um dos
envolvidos no caso doping, e que levou o ciclista a decidir se aposentar pouco antes do início deste Tour de France. A pressão dos patrocinadores está aumentando pois estão descontentes com a péssima imagem da maior volta ciclística. A gigantesca Adidas, patrocinadora da equipe T-Mobile, está considerando o desligamento devido aos problemas das drogas no esporte. "Estamos interessados em protegermos a nossa marca" declarou o porta-voz da ADIDAS Jan Runau. A Audi, parte do grupo Volkswagen, informou à equipe T-Mobile que está apreensiva com a indignação causada pelo mau exemplo do doping no Tour. Porém a Deutsch Telekom, principal patrocinadora da T-Mobile, deverá continuar no esporte o que é visto com otimismo por Bob Stapleton:"Essa é uma boa notícia. O ciclismo, de uma maneira uniforme
, reconhece a necessidade de mudança". Outras equipes também arregaçaram as mangas para uma faxina geral. A equipe holandesa Rabobank , que retirou Michael Rasmussen quando o dinamarques liderava o Tour confirmou a demissão do ciclista. Rasmussen alegou que estava no Mexico e por isso não pode comparecer aos dois exames anti-dopagem mas, segundo a equipe Rabobank, ele foi visto por outro ciclista na Italia no mesmo período. A equipe suiça Astana confirmou o desligamento de Alexandr Vonokourov que falhou no texte anti-doping durante o Tour de France deste ano. Após a expulsão de Vonokourov a própria Astana foi obrigada a se retirar do evento pressionada pelo patrocinador e acab
ou agravando ainda mais a crise na Volta da França. A temperatura também irá aumentar pois as autoridades francesas, que abriram esta caixa de Pandora ao descobrirem o uso da droga EPO pela equipe Festina em 1998, prometem manter a mesma vigilância que levou a expulsão de três ciclistas e a saida de duas equipes deste Tour de France. Todo este esforço coletivo, que nasceu da indignação popular, tem como objetivo obrigar a União Ciclística Internacional a tomar as medidas necessárias para devolver a dignidade à este esporte. E os primeiros resultados começam a aparecer. O presidente da UCI Pat McQuaid ofereceu um 'ramo de oliveira' ao
s dirigentes do Tour de France e declarou durante entrevista à Euronews, em Paris, que se todos trabalharem juntos o doping no ciclismo poderá ser eliminado em poucos anos. "Eu penso que limparemos o esporte em dois ou três anos. Eu acredito nisso firmemente". Respondendo as duras críticas feitas pelo diretor do Tour Patrice Lecrec, o presidente da UCI preferiu ser diplomático "Os organizadores passaram por um momento difícil no nível emocional. Em algumas semanas, quando todos se acalmarem, eles vão perceber que precisamos trabalhar juntos pelo bem do esporte". A primeira demonstração desta nova realidade aconteceu em Stuttgard. A cidade alemã ameaçou abrir mão de sediar o Mundial de Ciclísmo de Estrada caso não fosse implementado um dur
o controle anti-dopagem. Após uma longa negociação foi afirmado um acordo entre a UCI, a federação alemã de ciclísmo, além de autoridades do governo alemão e da cidade sede. De acordo com a chefe dos esportes de Stuttgard Susanne Eisenmann "os exames serã tão completos que qualquer ciclista que tentar usar doping será pego". A organização do mundial iá realizar 150 testes anti-doping, eram programados 60 inicialmente, e mais 200 serão administrados antes do início das competições. Ao contrário dos críticos que já decretara a morte do T
our de France, eu acredito que esta seja a grande oportunidade de renovar não apenas a Volta Ciclística da França mas o esporte como um todo. Em nenhum momento na história do ciclismo tivemos uma unidade como esta na busca de um objetivo. Que as feridas deixadas pela vergonha do uso de drogas nesta prova centenária sirva para a implantação de normas rígidas de controle sobre atletas e equipes, uma abertura de portas para novos valores e que meninos dos mais diferentes países possam sonhar como
uma coisa boa: ser um campeão do Tour de France no futuro. O Tour não está morto. Está de coração partido. E nada como o amor pelo ciclismo, fidelidade aos ideais esportivos e trabalho duro para trazer o Tour de France aos seus anos de gloria.


4 Comments:
De fato, esse ainda seja o maior Câncer que o esporte como um todo ainda tem q curar...mas eu acho q estamos longe disso...pq as exigencias q se fazem para os atletas de alto nivel estaum cada vez mais forte e essa necessidade de ser manter em alto nivel levam a qebra da etica, moral e valor, infelizmente...
abs!!! e vamos torcer para que possamos enfim acreditar q no esporte o "importante é Competir" e q sirva de exemplo para todos....
André Rozendo
Texto impressionante, de arrepiar!
Primoroso!
Concordo plenamente com você sobre todos os aspectos apresentados.
Esporte é vida, saúde, superação, não pode combinar com drogas e deslealdades. Em algum momento, de alguma forma, a humanidade necessita reagir ao esfacelamento dos valores morais, que são os únicos instrumentos capazes de propiciar uma sociedade benéfica e sustentável. Espero que os acontecimentos expostos no Tour de France sirvam de exemplos, não apenas às demais modalidades esportivas, mas também aos vários segmentos da sociedade, bem como ao indivíduo como unidade distinta.
Mais uma vez, parabéns pela matéria. Abraços
Gostaria de obter mais informações sobre a NFL , tais como:taabela dos jogos do superbow 2007/2008; a nova formação dos times e etc...
belo texto marco é o q tgodos nos apaixonados pelo tour e acima de tudo por esportes esperamos q seja banido tudo q possa prejudicar os verdadeiros esportistas q treinam e lutam para alcançar o lugar mais alto do podio. um abraço
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