Na NFL a roupa suja se lava em público
(Brian De Marco e esposa,Foto José Osorio/Tribune) Os sindicatos nasceram de uma noção romântica e idealista: Proteger os trabalhadores da exploração patronal e gerar benefícios através do esforço coletivo. Esta luta tão presente em nossa sociedade capitalista tem um novo campo de batalha:o chamado "esporte empresa". Nas últimas semanas os integrantes do Hall da Fama Mike Ditka, Joe Delamielleure
e Harry Carson, que encabeçam a entidade Gridiron Greats de apoio à ex-atletas, vieram a público repudiar a postura do sindicato dos jogadores (NFLPA) por defender apenas os direitos daqueles em atividade e ter virado as costas aos veteranos que construiram os pilares da National Football League. As críticas mais duras foram encaminhadas ao presidente do sindicato dos jogadores Gene Upshaw (bi-campeão do Super Bowl pelo Oakland Raiders) que está a frente da entidade a 24 anos. Os críticos apontam que o sindicato não compartilha os recursos arrecadados junto a NFL, que este ano deverá gerar um lucro de 7 bilhões de dólares, obrigando muitos ex-jogadores a viverem de favores por não possuirem um plano digno d
e aposentadoria. O primeiro disparo nesta guerra de bastidores aconteceu em fevereiro quando Mike Ditka culpou Upshaw e o sindicato pelo fato do integrante do Hall da Fama Mike Webster ter vivido como mendigo na rua antes de falecer 5 anos atrás em um hospital de Pittsburg (apesar da pensão de 9 mil dólares que o jogador estava recebendo na época do falescimento). "Eu não posso dizer se Mike Webster estaria vivo(Mike Ditka, Foto José Osorio/Tribune)
hoje ou não (com maior apoio do sindicato). Mas eu sei que ele não seria uma pessoa que morava na rua". A resposta de Gene Upshaw não demorou a aparecer "Eu sou apresentado como um cara sem compaixão, que tem um emprego de um milhão de dólares e só se importa com si mesmo. Quando vou para as negociações (referentes a parte dos lucros que cabe aos jogadores),quando eu luto pelos nossos 60%, eu também estou lutando pela parte deles. Por que o pedaço deles tem que vir da nossa fatia. Este é o único lugar que o dinheiro vai sair". Upshaw voltou a receber ataques do representante da Associação dos Jogadores Aposentados da NFL, Bruce Laird na semana passada "Nós estamos extremamente desapontados com a recusa do NFLPA e seu diretor executivo, um ex-jogador da NFL, de defender
os jogadores(Gene Upshaw, Foto Associated Press)
aposentados. Mas como o escritor Upton Sinclair uma vez disse é dificil fazer um homem entender algo quando o salário dele é baseado em não entender o problema". O líder acusa o sindicato de não fazer o suficiente pelos 9 mil jogadores aposentados da NFL. As queixas estão centradas nas diversas maneiras do NFLPA recusar o atendimento médico aos ex-atletas e a baixa pensão dada aos veteranos. Lair recorda o caso de Johnny Unitas, um dos maiores QB de todos os tempos falecido em 2002, que teve o atendimento médico negado apesar de sofrer dores crônicas nos nervos dos braços. "Os caras sentiram que se Johnny Unitas não conseguiu ajuda, ninguém mais vai conseguir" desabafou o ex-guard do Packers Jerry Kramer. Segundo ele muitos foram influenciados a pedirem os benefícios da aposentadoria mais cedo devido a relatórios que a média de vida de um ex-jogador da NFL era de 54 anos. Ao invés de esperar até os 62 anos de praxe, Kramer entrou com o pedido aos 45 anos e agora recebe uma pensão de apenas 454 dólares por mês. A alfinetada teve pronta reação de Upshaw "Alguns destes caras (aposentados) alegam que ninguém os representa. Isso é uma loucura. Nós os representamos sempre. Eu sou o único na mesa de negociação representando estes jogadores aposentados". O dirigente lembra que a pensão dos ex-atletas cresceu drásticamente nos últimos quatro reajustes e que atualmente muito aposentados ganham mais do que quando atuavam na NFL. Na verdade a pensão dada aos jogadores dos anos 70 quadruplicou nos últimos 13 anos. Mas nada parece calar os críticos. O mais novo capítulo nesta vendeta aconteceu na segunda-feira durant
e uma coletiva realizada no(Joe Delamielleure Foto José Osorio/Tribune)
restaurante de Mike Ditka em Chicago. O evento que tinha como objetivo promover uma campanha de arrecadação de fundos à ex-jogadores da NFL, sem plano de saúde e em dificuldades financeiras, se transformou em tribuna contra o presidente do sindicato do jogadores. "Eu joguei ao lado de um cara que agora está em um abrigo de mendigos" declarou Joe Delamielleure que atuou durante 13 temporadas no Buffalo Bills e Cleveland Browns, "a nossa pensão fede, claro e simples". Segundo Delamielleure, o presidente do NFLPA vem tentado intimidar os integrantes do Gridiron Greats através da imprensa "Ele ameaçou quebrar o meu pescoço. Mas eu digo: Ele fede como líder sindical a 20 anos". Na ocasião foi apresentado o
ex-offensive lineman do Jacksonville Jaguars Brian De Marco, de apenas 35 anos, que subiu ao pódium com a ajuda de uma bengala. "A minha perna direita está completamente adormecida. Eu tenho dor extrema nos nervos dos braços" desabafou De Marco que alega ter vivido como mendigo, junto com a família, após se aposentar do esporte por não ter condições de trabalhar. "Eu perdi o tato, a habilidade de segurar as minhas crianças". Inimigo declarado do presidente do(Foto José Osorio/Tribune)
sindicato dos jogadores, Mike Ditka não poupou o dirigente "Isso é inaceitável. Já passamos da fase de termos um comitê. Agora é sobre o certo contra o errado. Faça a coisa certa. Apenas faça a coisa certa". Esta nova bofetada não passou desapercebida e o sindicato dos jogadores (NFLPA) enviou um fax no dia seguinte mostrando que nos últimos nove meses Brian De Marco recebeu sete cheques no valor de 9.748 dólares. "Ninguém acreditou no meu escritório que este era o mesmo cara que estavamos falando", metralhou Gene Upshaw. A origem desta discórdia pode estar no rancor de Gene Upshaw em relação à muitos ex-jogadores que não o apoiaram quando o presidente assumiu o sindicato dos jogadores em junho de 1983. "Eu lembro dos anos 70 quando o NFLPA estava começando. Nós não recebiamos q
ualquer apoio (destes jogadores) para lutarmos pelas pensões. Quando fomos para a justiça em 74, eu vi caras furando o piquete que eu estava". O repúdio aos antigos companheiros ao meu ver é a grande mancha no trabalho de Gene Upshaw. Os números confirmam a boa administração de Upshaw, que assumiu o sindicato com um rombo de 4 milhões de dólares no caixa, e segundo o NFLPA tem atualmente 1 bilhão de dólares em recursos voltados ao plano de aposentadoria dos atuais jogadores. O salário médio dos jogadores em atividade na NFL, que era de 120 mil, subiu para 1 milhão e seiscentos mil dólares. Além do 'plano 88', em homenagem ao integrante do Hall da Fama John Makey que sofre de demência, criado em conjunto com a NFL para prestar atendimento psiquiátrico à ex-jogadores. Neste plano, serão dados 88 mil dólares ao ano para as despesas no atendimento de ex-atletas vítimas do mal de Alzheimer ou demência. "Olhe ao redor do país. Fale com a imprensa. Não existem muitos sindicatos que m
elhoram os benefícios de caras já aposentados" declarou Upshaw "Eles não vão fazer isso. Mas nós temos feito isso toda a vez que sentamos na mesa de negociação". Segundo os críticos apenas 284 ex-jogadores receberam benefícios de invalides no ano passado e, apesar da fartura de dinheiro nos cofres do sindicato, os reajustes ainda não colocaram os veteranos no mesmo(Foto Scott Boehm/Getty)
patamar dos jogadores em atividade. "Eles querem saber por que não podemos fazer isso. Para começar isso iria custar 1 bilhão de dólares. Eles dizem você tem todo este dinheiro no plano de aposentadoria. Claro. Mas quando os atuais jogadores baterem na porta em 10 anos eu quero ter certeza que eles vão receber. Eu não quero ser como a United Airlines ou outra grande corporação que o plano de aposentadoria simplesmente desapareceu. Nós não vamos fazer isso". Infelizmente neste cabo de guerra entre o apelo emocional a favor do homens que construiram a National Football League e a seriedade do líder sindical em presenvar o futuro dos atuais atletas não vejo um claro vencedor ou um dono da verdade. É triste admitir mas a realidade, não apenas esportiva, nos mostra como temos uma "vida útil" curta em nossas profissões e como o novo é a única coisa que importa em uma sociedade de consumo.


2 Comments:
Ola Marco, eu particularmente acho que o sindicato do jogadores da NFL nao tem atuado tao bem qto o dos jogadores da MLB, particularmente acho o Cap prejudicial aos jogadores, enquanto os donos de times vao acabar sendo donos de todas a premier league da Inglaterra.
Quanto ao plano de aposentadoria me parece que o presidente tem razao, isto olhando de fora, se eu fosse o Ditka e realmente nao concordasse eu pediria uma auditoria
abraco
eu tambem acho que o sindicato poderia fazer um pouco mais pelos aposentados mas em relaçao ao Cap que o Ricardo disse, eu entendo esse ponto de vista, mas sou favoravel ao Cap, inclusive na MLB, porque com ele, os times sao muito mais iguais, o treabalho dos GMs e treinadores aparecem muito mais.
sem desmerecer o Joe Torre, mas eh mto mais facil ir c/ A-Rod, Posada, Jeter, Clemens e cia. que com um time que, somando os salarios de todos os jogadores, só paga o do A-Rod, como o Marlins.
talvez a soluçao seja a que o Ricardo disse mesmo, pedir uma auditoria e ver no que dá
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