Monday, May 21, 2007

No final deu azul, laranja e branco


(Empire State Building iluminado com as cores do Mets, Foto Bryan Smith/AP)
O majestoso Empire State Building é um dos arranha-céus mais conhecidos no mundo e, provavelmente, o grande símbolo de Nova Iorque. Nascido em 1931, ao final da depressão econômica americana, este gigante que foi escalado por king Kong levou apenas 410 dias para ser construido. Ao chegar em Manhattan não há como deixar de tirar uma foto deste elegante senhor de concreto,vidro e aço que recebe os turistas na confluência da aristocrática Quinta avenida com a popular 34 street. As diferenças entre este dois caminhos aos pés do Empire State Building representam a extraordinária riqueza desta metrópole mas ao mesmo tempo lembram que Nova Iorque foi construida por imigrantes que desembracaram neste porto em busca de uma vida melhor. Cercado por outros belos rivais como o Chrysler Building, que foi construido na mesma época, o Empire State Building permanece como um farol no mar de prédios que é Manhattan. Uma das tradições mais bonitas desta cidade é iluminar o topo do Empire State Building com luzes coloridas para comemorar algo de importância. Foi assim que o velho arranha-céu se vestiu de branco para pedir paz e lembrar o saudoso World Trade Center após o atentado de 11 de setembro, é desta forma que todos os anos ele celebra a independência dos Estados Unidos com o vermelho,azul e branco, festeja o dia internacional da mulher e a luta contra o câncer todo de rosa ou honra a presença de imigrantes de diferentes nações, como no dia sete de setembro quando fica iluminado de verde, amarelo e azul.Pois nesta capital do mundo o beisebol se mantêm como a grande paixão esportiva e mesmo o velho arranha-céu não poderia escapar. Na quinta-feira o Empire State Building foi iluminado de um lado com o azul e branco do New York Yankees e do outro com o azul, laranja e branco do New York Mets. Assim como a grande maça, amigos e amigas, namorados e namoradas, casais, filhos e parentes se dividiram por um breve período. Qual é o melhor time de Nova Iorque, Mets ou Yankees? Quem é o melhor shortstop Derek Jeter ou José Reyes? Qual terceira base atrai mais suspiros femininos, Alex Rodriguez ou David Wright? O debate se transformou em uma aposta e o prêmio acabou sendo iluminar o Empire State Building com as cores do clube que ganhasse esta série de três partidas. Pois lá do Queens os torcedores do New York Mets tiveram o prazer de darem uma conferidinha no Empire State Building antes de irem para a cama no domingo. Após vencer a partida de sexta por (3x2) e sábado por (10x7), o Mets entrou em campo no domingo sabendo que o gigante no coração de Manhattan iria iniciar a semana vestindo azul, laranja e branco.

De um lado tristeza.
Não é segredo que o proprietário do New York Yankees George Steinbrenner detesta três equipes na Major League Baseball: O Red Sox pela rivalidade histórica, o Mets pela supremacia em Nova Iorque e o Devil Rays pois Tampa (local aonde Steinbrenner tem residência de verão) nunca o aceitou como membro da comunidade. O triunfo do Yankees no domingo evitou a humilhação da varrida na véspera de uma série crucial frente o Boston Red Sox e, por alguns dias, afastou as hienas que seguem salivando pela demissão do treinador Joe Torre. Durante o segundo encontro no sábado, com o o Mets vencendo por (8x2) e abaixo de muita chuva, Joe Torre foi intrevistado pela Fox sobre o futuro da equipe no campeonato."Acredito que este grupo ainda tem fogo para reagir" declarou Torre com uma confiança que surpreendeu o repórter. Na sequência os bombardeiros do Bronx encostaram no placar (6x8) e fizeram os Metropolitanos suarem a camisa para fecharem a partida em (10x7). Diferente do que aconteceu no domingo (estréia espetacular do garoto Tyler Clippard arremessando 6 innings e permitindo apenas uma corrida do Mets), a partida de sábado poderia ser um resumo do que vem acontecendo com o Yankees neste campeonato. Logo no primeiro inning o arremessador Darrell Rasner levou uma bolada na mão e precisou deixar a partida com o polegar fraturado, o Yankees empilhou jogadores nas bases mas somente no sétimo e oitavo innings conseguiu rebatidas para encostar no placar e novamente as falhas defensivas
(Foto Kathy Willen/AP)
(Robison Cano cometeu três erros no jogo) somadas ao irregular bullpen resultaram em nova derrota. Este serão os três pontos que irão determinar o destino do Yankees este ano: Como conseguir regularidade dos arremessadores que abrem a partida se em média eles tem durado menos de cinco innings (resultando em um desgaste extra do bullpen), Como obter produção ofensiva consistente de jogadores titulares como Johnny Damon, Robison Cano e Bobby Abreu. Como administrar um bullpen que não é mais imbatível com o natural envelhecimento de Mariano Rivera? Estes serão os três grande desafio para o técnico Joe Torre.

Apagando incêndio com gasolina.
O grande tópico na partida transmitida pela ESPN no domingo foi a declaração de Jason Giambi sobre o possível uso de esteróides no beisebol:" Eu estava errado em fazer aquilo.O que deveriamos ter feito a muito tempo é levantar, jogadores, donos-de-clubes, todo mundo e dizer: Nós cometemos um engano". Nunca escondi a minha antipatia em relação aos atletas que trapacearam para terem uma maior produção de home runs. Especialmente mentirosos como Rafael Palmeiro que jurou sobre a bíblia nunca ter usado esteróides e menos de cinco meses depois do depoimento perante o congresso americano falhou no teste anti-dopagem. Tenho um profundo desprezo por mercenários que colocaram na lama um esportes que tem como ponto de honra a honestidade. Porém neste grupo não posso incluir Jason Giambi que teve a hombridade de admitir, mesmo que parcialmente, ter usado esteróides. A confissão parcial de Giambi aconteceu não por covardia mas por um simples motivo legal. Está estipulado no contrato com o New York Yankees que se for confirmado, seja por exame ou admissão do atleta, que Giambi usou esteróides o clube poderá dispensá-lo sem pagar indenização. Durante a partida de domingo contra o Mets, o general manager Brian Cashman informou que o assunto está nas mão da Major League baseball e o clube irá aguardar alguns dias antes de se pronunciar. Ou seja o Yankees gostaria que o episódio passasse em branco mas a MLB, sentindo que a imagem da liga ficou manchada com a frase:"jogadores, donos-de-clube, todo mundo e dizer: Nós cometemos um engano" insiste em reviver o caso. Talvez naquele momento de desabafo Jason Giambi tenha colocado o Yankees em uma sinuca de bico. De um lado o time não pode abrir mão de um rebatedor canhoto de potência como Giambi mas, se a declaração for considerada uma admissão de culpa, a Major League poderá pressionar pela saida do jogador. Só faltava esta para o pobre Joe torre.

Do outro lado só alegria.
Dono de uma enorme torcida o New York Mets está pronto para reconquistar o trono de rei de Nova Iorque. A virada de mesa dos Metropolitanos começou com a demissão do ex-general manager Steve Phillips (atual comentarista da ESPN americana) e a contratação de Omar Minaya que foi o responsável por transformar o Montreal Expos em um time competitivo mesmo sem muitos recursos financeiros. Graças as raízes latinas Minaya conseguiu trazer para o Mets nomes de peso como Pedro Martinez, Carlos Beltran e Carlos Delgado.O suporte financeiro do Sr. Fred Wilpon foi fundamental para o Mets competir em um mercado inflacionado e a inteligência na contratação do treinador Willy Randolph que soube promover talentos das divisões de base como José Reyes e David Wright, além de incorporar no plantel a mesma mentalidade vencedora que ele trouxe do Yankees. A rotação de aremessadores, que parecia ser o ponto fraco da equipe na pré-temporada, tem dado conta do recado apesar da ausência de Pedro Martinez. A saída de alguns integrantes do Bullpen não afetou o bom nível do grupo, o closer Billy Wagner readquiriu a confiança dos torcedores e o ataque explosivo do Mets mostrou contra o Yankees que poderá lutar de igual para igual contra times da Liga Americana caso os Metropolitanos cheguem na World Series. Neste quase vinte anos morando em Nova Iorque vi o auge da popularidade do Mets (ao final dos anos 80), o gradual desaparecimento durante os anos 90 (devido a sequência de títulos do Yankees) e agora o azul (em homenagem ao antigo Brooklyn Dodgers), o laranja (em homenagem ao antigo New York Giants) e branco do Mets resurgem com força nas ruas de Nova Iorque.

3 Comments:

At Monday, May 21, 2007 6:50:00 PM, Blogger Unknown said...

Por enquanto a relação custo-benefício do Yankees é baixíssimo. Gasta dinheiro e o time não consegue sucesso, pelo menos é só início de temporada.

 
At Monday, May 21, 2007 8:19:00 PM, Blogger Unknown said...

Adorei o texto Marco! Acredito que as declarações de Jason Giambi acabarão por afetar o Yankees. A MLB não pode atenuar a situação depois de tanto empenho para devolver ao beisebol conceitos como honestidade e integridade.
Abraços

 
At Friday, May 25, 2007 12:57:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Salve Markito!
Se nao me engano Yankees jah teve 11 starters diferentes essa temporada... Boa parte nunca tinha jogado na MLB antes... Dá pra entender isso? E ainda tem o Rocket voltando... Glorioso Pavano já voltou para a sua DL, Igawa ta perdido (hehe), e 2 (ou 3, deu duvida agora) rookies machucados... E ainda jah tiveram Wang e Muss machucados... Ptz grila.. Unico firme e forte até agora soh o Pettitte!
E o Mets... Q time hein? Quando o Delgado esquentar, sai de baixo... E o Peeeeedro voltar, se voltar como tao dizendo q vai voltar, ai já era.... Uma coisa boa tava sendo o Maine, consistente, uma das minhas apostas pra essa temporada ele... Teve dois starts ruins, espero q ele recupere contra o Marlins...
Grande abraço...

 

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