A beira do colapso
(Foto Associated Press)
Ontem assisti o último (?) filme do Rocky, o lutador e fiquei a pensar: Porque na vida esportiva nem sempre temos um final feliz, aqueles holliwoodianos que nos enchem de alegria? Porém, diferente do que acontece com o personagem interpretado pelo ator Sylvester Stallone, muitas vezes o bom sujeito acaba sendo derrotado. Com um simples clic do controle remoto pulei para o jogo do New York Yankees contra o Toronto Blue Jays e lá estava o treinador Joe Torre. As costas curvadas, o rosto marcados pelas rugas, o olhar voltado para o chão e as mãos juntas como em uma oração por um milagre. Me comoveu ver um bom homem ser desmembrado lentamente pela dor de não conseguir botar o time mais popular da Major League Baseball no caminho certo. O Yankees voltou a ocupar a lanterna da divisão leste da AL (junto com o Devil Rays) após a derrota por (7x2) e agora está 13 1/2 pontos atrás do líder Boston Red Sox. Antes da partida Joe Torre se reuniu com os jogadores, falou sobre a tradição do clube, da qualidade deste plantel, reafirmou que a reação começa por cada um fazer o seu papel e mais uma vez protegeu os jogadores assumindo a responsabilidade diante da imprensa e, principalmente, do feroz proprietário George Steinbrenner. Mas nada disso teve efeito. O Yankees não conseguiu marcar sequer uma corrida em sete innings frente a Dustin Mcgowan.Quem? Isso mesmo meu caro leitor(a). Enfrentado um arremessador de apenas 25 anos, somente a dois anos na MLB e com uma campanha de duas derrotas e nenhuma vitória neste campeonato o ataque mais caro do beisebol só conseguiu anotar no oitavo inning quando o Blue Jays já vencia por (7x0). Compreendo que na revolta natural do torcedor é fácil culpar Joe Torre por esta campanha vergonhosa mas a responsabilidade por este fiasco tem raízes profundas no clube e precisa ser compartilhada com outros personagens. A começar pelo general manager Brian Cashman que permitiu a saida de Andy Pettitte e Roger Clemens no auge das carreiras para trazer Carl "estou sempre machucado" Pavano e
Randy "o geriátrico" Johnson. Cashman deu o aval para a vinda de Gary Shefield (contra a vontade de Torre) e tentou se redimir da dor-de-cabeça piorando ainda mais o time ao contratar Bobby Abreu. Cashman destruiu a política bem-sucedida de misturar pratas-da-casa (que revelou Derek Jeter, Jorge Posada e Mariano Rivera) com atletas consagrados pela simples busca do jogador mais caro no mercado. Foi assim que o talentoso Alfonso Soriano, uma das maiores promessas produzidas pelo Yankees, acabou indo para o Texas Rangers na aquisição do homem de 250 milhões de dólares Alez Rodriguez, que convenhamos nunca justificou o salário de 25 milhões por campeonato. Segundo o chefão Steinbrenner, Cashman está "no gancho" mas o propietário também tem culpa no cartório por interferir na escalação do clube, impor Jason Giambi (apesar das suspeitas que ele estaria envolvido com esteróides) e negar a vinda de Carlos Beltran que poderia ter sido o substituto ideal na aposentadoria de Bernie Williams. A maior culpa de Joe Torre está na fé cega que ele tem em relação aos jogadores e que, por questão de lealdade, não permite um faxina geral neste grupo. Assim como Rocky acreditava que um golpe poderia mudar uma luta, Torre ainda confia que um grande momento do time irá mudar a caminha funebre do Yankees em 2007. Neste final de semana o Yankees visitará o caldeirão do Boston Red Sox (sem Roger Clemens que deverá re-extreiar na próxima terça-feira contra o Chicago White Sox) em uma série de partidas que poderão marcar o final da era Joe Torre. Nos restará definir qual será o legado deste treinador? Desde que assumiu os bombardeiros do Bronx em 1996, Torre classificou o time a pós-temporada em todos os 11 anos. Venceu quatro World Series, perdeu duas, ganhou a divisão leste dez vezes perdendo apenas em 1997 para o Baltimore Orioles e mantém um retrospécto respeitável de 60% de vitórias. Mas isso de nada valerá se os jogadores que ele tanto confia não derem uma resposta em campo nos próximos dias. Para Torre só resta manter a mesma dignidade na qual conduziu a carreira desde a extréia como catcher do Milwaukee/Atlanta Braves em 1960. Ele não pode se esconder nas sombras para fugir as críticas como estão fazendo alguns jogadores e o general manager Brian Cashman. Caso a demissão aconteça, aos meus caros torcedores e torcedoras do Yankees lembro um ditado popular aqui dos Esatdos Unidos:"Cuidado com o que você deseja, isso poderá virar realidade". Um forte candidato para substituir Torre é o auxiliar de terceira base Larry Bowa. Só de mencionar o nome de Bowa já dá arrepios nos torcedores do Philadelphia Phillies.


2 Comments:
Yankees é o pior custo/benefício do esporte mundial. Gasta milhões e não ganha um título há mais 5 anos. Começou a gastança de money e as World Series sumiram do Yankee Stadium.
Talvez o melhor presente para Joe Torre seja mudança de time. Houve acomodação em todos os sentidos. Ele sabe que está na hora de mudar, mas cadê coragem?! É preciso sair de cena quando o espetáculo acaba. Ele é um grande profissional, só está precisando de vida nova!
Abraços
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